Desfazendo o senso comum
Em "O Debate Sobre a Música Cristã" Tim Fisher nos desafia a pôr em dúvida o senso comum que prevalece entre evangélicos de que "qualquer música é aceitável desde que seja para Deus". Fisher nos lembra que na Bíblia algo pode ser sincero e ainda assim ser recusado por Deus e que o próprio texto bíblico menciona casos em que o culto foi rejeitado por não seguir as orientações divinas, isso fica claro com as trágicas mortes de Nadabe, Abiú e Uzá (Lv10:1-2; 2Sm6:1-9). Para Fisher a música, assim como tudo o mais na vida cristã, deve passar pelo crivo das Escrituras e para isso o autor analisa as diversas menções à música na Bíblia Sagrada, inclusive a sua origem relatada no livro de Gênesis, a organização dos músicos no Israel antigo e os hinos cristológicos do Novo Testamento. Embora essa análise inclua a letra, não se limita a ela, de fato, o livro defende que, diferentemente do que muitos evangélicos acreditam, a música não é neutra mas pode ser ruim mesmo que a letra seja boa pois a melodia pode provocar a resposta do ser humano mesmo que nada seja cantado. Por fim ele convida as igrejas cristãs a se dedicarem mais ao louvor e isso mão só na seleção das canções mas em um ensino musical sólido às bandas e corais cristãos para que o louvor seja feito com excelência e zelo. O grande mérito do livro é convidar os cristãos a traçarem sob a luz das Escrituras uma linha que separe o que é e o que não é música cristã. Infelizmente não me parece que o autor tenha conseguido demonstrar com clareza onde fica essa linha mas está claro que ela existe e não pode ser ignorada pela Igreja.
