Macunaíma - O herói sem nenhum caráter

    Mario de Andrade

    José Olympio
    1937
    275 páginas
    9h 10m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A personagem-título, um herói sem nenhum caráter (anti-herói), é um índio que representa o povo brasileiro, mostrando a atração pela cidade grande de São Paulo e pela máquina. A frase característica da personagem é "Ai, que preguiça!". Como na língua indígena o som "aique" significa "preguiça", Macunaíma seria duplamente preguiçoso. A parte inicial da obra assim o caracteriza: "No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite." A obra é considerada um indianismo moderno e é escrita sob a ótica cômica. Critica o Romantismo, utiliza os mitos indígenas, as lendas, provérbios do povo brasileiro e registra alguns aspectos do folclore do país até então pouco conhecidos (rapsódia). O livro possui estrutura inovadora, não seguindo uma ordem cronológica (i.e. atemporal) e espacial. É uma obra surrealista, onde se encontram aspectos ilógicos, fantasiosos e lendas. Adota como protagonista uma personagem fantasiosa e complexa, na qual se misturam os mais diversos traços de nossa formação cultural. A confluência racial em Macunaíma se evidencia desde o primeiro capítulo e é o próprio Rei Nagô, figura africana quem avisa que o herói é muito inteligente. Com uma critica maior à linguagem culta já vista no Brasil. Não deixe de ler esta grande obra onde realidade e fantasia se misturam formando uma composição única.

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    Clio picture
    Clio18/10/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Descrevi essa obra outro dia com a expressão "samba do criolo doido" e alguém me disse não se usa mais isso - que é politicamente incorreto. Tive vontade de rir. O que pode ser mais politicamente incorreto que o heroi sem caráter de Mário de Andrade? Nessa mistura de lendas indígenas e crítica social, Andrade tece a realidade de Macunaíma cujo único preceito ético parece ser a Lei de Gerson (ou a lei da vantagem). Em pouco menos de duzentas páginas, o personagem rouba, mata, mente, trai e destroi coisas e pessoas com um único objetivo: a satisfação pessoal. Deixo aqui a carapuça para quem servir. Recomendo.

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