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    Cronicas do Amor Impossivel -

    Jardim

    Perse
    2013
    102 páginas
    3h 24m
    ISBN-13: 9788579760396
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    Mário de Andrade definiu para sempre: amar é verbo intransitivo. O amor atrai pela promessa do bem, mas cutuca uma ferida narcísica: expõe nossa carência, nossa falta em sermos completos como gostaríamos. Quando amamos, sofremos porque vemos no outro tudo o que nos falta e queremos. Sofremos porque temos medo de que o outro goste menos de nós e nos abandone, levando consigo uma parte nossa que nos desabita. Se não amamos, sofremos porque não temos com quem compartilhar o que temos. Se não somos amados, não adianta ter o que compartilhar. Neste livro os poemas são labirintos que exigem cuidados especiais em sua passagem, caso contrário, você pode se sentir perdido. Crônicas do Amor Impossível mostra a corrosão que o amor provoca no outro lado. O que quebra na engrenagem do outro, os escombros pós-explosão e o que restou. Sem sonhos e sem conselhos o livro fala de amor. Preso no labirinto desse sentimento tenta uma fuga, pois, ao mesmo tempo que há uma desconstrução, surge uma possibilidade do novo, da superação. E é justamente nesta superação que o autor tenta fazer o seu vôo. No entanto, como no vôo de Ícaro, é também uma experiência dolorosa. Convido-o a fazer a travessia neste deserto cheio de tesouros. Entretanto, tenha cuidado para não se deixar atingir pelo brilho do Sol que pode destruir qualquer chance de vôo. Leia as primeiras páginas: http://www.youblisher.com/p/350381-Cronicas-do-Amor-Impossivel-Edicao-Brasil/ Assista os video-poemas: http://sergioprof.wordpress.com/video-poema/

    Resenhas (1)Ver mais
    Mara Bergman picture
    Mara Bergman08/12/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    sensível

    Jardim, com seus versos em primeira pessoa e transfigurados em prosa nos permite uma confissão maior e mais apurada do estado da alma. É clara sua intenção em expressar o deplorável estado psicológico em que o eu encontra-se. ”levo comigo o teu último beijo. 14 horas, 19 de março, comecei a morrer.". Um ponto que não deve ser ignorado é como o poeta trabalha esse amor perdido. Freud expõe que a perda de um amor iguala-se, dum certo modo, à morte física. Um estado de luto, onde a tristeza prevalece. Há, no entanto uma luta constante para permanecer vivo. Uma recusa em permanecer neste estado, em se tornar mais um objeto no mundo. O poeta faz um inventário de suas perdas e ganhos. Ao tratar a dor que o consome tem sempre em mente que a desconstrução abre o espaço para o novo, para a superação, que a vida não pode e não deve ser em vão. " se o agora é inconsistente me volto para o futuro que desconheço." O autor sempre traz para o texto suas perdas, os versos sugerindo um vazio interior, uma desilusão ”estranha liberdade que me torna insensível ao azul do céu, que esconde meus alicerces ruídos, minha casa incendiada". São palavras duras e mansas, estrategicamente posicionadas uma contra a outra que se referem a tudo que se perdeu e a tudo o que poderá vir, no futuro, ainda que incerto, diferente do presente, de seu momento atual. Sem pudores, expõe sua nudez, sua vulnerabilidade, sua fragilidade, sua solidão. Como quem se enxerga, diante de um espelho e constata a existência de inúmeras perguntas irrespondíveis. Impelindo pela sua permanente inquietação, sente que, apesar de tudo, é preciso continuar para além da curva da estrada. É preciso ir ao encontro do jardim, ir além do passado, apesar da constatação do sonho fragmentado. É uma poesia intensamente musical. Faz uso de um vocabulário áspero e utiliza um tom muitas vezes interrogativo, muitas vezes negativo, por vezes irônico. É também uma poesia que faz uso de uma linguagem fortemente simbólica, onde abundam metáforas inesperadas e os paradoxos desconcertantes, convidando ao leitor a decifrar seus enigmas a se lançar no arriscado vôo de Ícaro.

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    Sergio Almeida profile picture

    Sergio Almeida

    Dizer quem somos soa estranho, como se estivéssemos completos, finalizados, como se a vida fosse linear e não a permanente e constante mutação em processo que encarnamos. Sou tudo o que o mundo me ensinou a ser, mutante como os dias. Me desfaço em versos e me renovo em notas, versos que muitos talvez não entendam, notas que muitos talvez não ouçam. Minha mão cria a dança das letras através da melodia da alma. Dá cor às coisas que não têm cor, transforma, transmuta as palavras. Poeta é o olhar que pratico. É o olhar que enxerga o mundo no mosaico da poesia. Escrever é conhecer-se, é descobrir a própria história oculta. É decifrar o que nos pertence, o que se perde, o que se refaz. Sou apenas um bardo. Nada além daquele que quero ser. Nada aquém daquele que fui. Sou o que sou e porque assim sou não sei. Sou o que sou porque assim me tornei. Resultado de tudo aquilo que senti, tudo aquilo que criei, das histórias que inventei, dos sentimentos que fingi, daquilo que sofri, daquilo que ganhei. Sou parte de um todo. Um caminho sem rumo. Um brinquedo nas mãos da matemática do caos. Sou apenas um bardo errante. Me faço poeta para libertar as emoções que estão aprisionadas nas masmorras da alma, refugiar-me dos meus demônios, contar as mentiras que me tornam verdadeiro, palavras sem importância em seu momento derradeiro. Diante do escudo e da espada, na guerra eterna de todos os dias, na guerra desigual de todas as noites. Sou a soma de tudo o que vivi e que sonhei, um colecionador dos resultados que os dados do acaso fornecem. Ergo minha bandeira de causa nenhuma, entre becos, ruelas estreitas, curtas, sem saída, vivendo o tempo que me resta, adiante de alguma fatalidade. Cruzando com os que partem, com os chegam, com os que se fragmentam contra o tempo, com os que plantam rosas nos jardins. Na vida real meu nome é Sergio Almeida, apátrida, habitante de Niterói, RJ, vivendo o meu destino de fênix, um minuto de cada vez, nestes campos de desigualdade. Poeta pela necessidade fisiológica da prospecção de mim mesmo, em busca da minha humana tradução, independente de escrever. Me procurando, me perdendo, me recompondo, em busca de um espaço para chamar de meu. Jardim: s.m. Segundo o Aurélio espaço ordinariamente fechado, onde se cultivam árvores, flores, plantas de ornato. Jardim: na vida real cidadão anônimo comum que também luta pela sobrevivência, ciente de que o Universo não é necessariamente justo ou injusto, alguém que ainda vive, que busca e espera, acerta e erra, que aceita o custo de estar vivo O jardim é uma tentativa humana de organizar a natureza, ordenar o desordenado e também uma alternativa para organizar e conciliar a metamorfose das emoções, ordenar as leituras de mundo, decifrar a própria existência. Mas Jardim também é aquele que me habita, meu alter ego que assina estas poesias. Um pedaço de mim que se aventura pelos portais onde nunca me aventurei. Aquele que enxerga até onde meus olhos não alcançam. Aquele que se traveste de sonhos e prova sua íntima parcela de morte e de vida. Aquele que espera e conquista. Que chora e sorri. Aquele que escreve o Livro dos Dias. Assim como o outro também é uma tentativa de organizar minhas impressões e leituras de mundo. É uma forma de registrar as emoções que me escapam pelos poros e que também me alimentam os sentidos. Minha âncora, meu sangue, minha sede. Em sua incandescência a nomear as coisas, apagar as sombras, revelar o íntimo das palavras. Meu maior patrimônio são os meus versos, com eles construo meu jardim.

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    Sergio Almeida