Tenho um fraco por etnias marginalizadas. Sofri demais por seu uma criança calada. Nunca pertenci a grupos na escola e não tive amigos a quem eu pudesse confiar meus segredos. Por causa disso a atração por povos e pessoas perseguidas me fez ler mais sobre judeus e ciganos.
Os ciganos ou “roma”, em sua língua de origem, são uma etnia envolta em segredos, sempre orgulhosos de sua raça, são nômades que não possuem história escrita. Seus conhecimentos são transmitidos oralmente, através das famílias, núcleo este considerado sagrado. Existem diversos clãs ou hierarquias, sendo que eles procuram se casar entre seu próprio grupo. Em várias épocas foram discriminados e taxados de vagabundos e ladrões. Mas se você quiser ir mais a fundo descobrirá quão rica é sua cultura.
Mas por que esta introdução ao mundo cigano? Porque Invisíveis (Intrínseca, 384 páginas) mergulha fundo neste universo repleto de discrições, mistérios, ocultações. Stef Penney alterna capítulos dedicados a Ray Lovell, um detetive de descendência cigana e JJ, um adolescente cigano, confrontando suas angústias e opiniões; uma aula de construção literária com diálogos duros e pertinentes.
Rose Janko está desaparecida há mais de sete anos. Lovell é contratado por seu pai para localizá-la e segundo consta sumiu após dar à luz um filho com doença rara, fugindo com um “gorjio” (não-cigano). Lovell é escolhido justamente por ter sangue cigano, por conhecer os costumes e por ter solucionado um caso no passado em que nem a polícia havia tido sucesso. Rose, ao se casar, é incorporada à família de JJ e seu desaparecimento causa inúmeros transtornos. É através das dúvidas e vivências do adolescente, mais as investigações de Lovell, que o novelo irá se desenrolar. O problema é que os Janko são um clã muito fechado e não gostam de ninguém se intrometendo nos problemas da família. Como agir quando quem mais deveria estar interessado na descoberta do paradeiro de Rose torna-se obstáculo para a investigação?
São tantos assuntos abordados que me deixaram tonto. Atravessam e se inter-relacionam fatos históricos, crimes, costumes, relacionamentos mal resolvidos, puberdade e muito mais:
“...Durante o Holocausto, os ciganos eram exterminados a gás junto com os judeus. Mas, se você fosse 1/4 judeu, contava como não judeus e tinha permissão para viver. Mas, se fosse apenas 1/16 cigano, você ainda era um cigano e ia diretamente para a cãmara de gás. Dá para ver como odiavam os ciganos. E, na Romênia, durante séculos e séculos, os ciganos foram escravos de verdade, comprados e vendidos como gado.”
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http://www.literaturadecabeca.com.br/2013/02/resenha-o-nomadismo-como-religiao.html