Só me toquei mesmo que Dearly, Departed é um distópico quando estava pra começar a resenha. Apesar da falsa utopia da sociedade neovitoriana o clima não é o mesmo das outras conhecidas distopias. Esse livro também é steampunk, mas dá tão pouco destaque às características engenhocas desse grupo-gênero-tipo que só lembrei quando reli a contracapa.
Dearly, Departed parece mesmo é um faroeste com zumbis, muitos zumbis.
E a melhor parte do livro não é o conflito punks vs neovitorianos, ou a medicina pró não-vivos, nem a vida militar pouco convencional da Base Z.
Estou falando do lamour!
Ah, o amor
Fiquei completamente apaixonada pela redoma criada por Bram e Nora para eles mesmos no meio de todas as esquisitices daquele mundo de 2187! Quem diria, heim? Logo eu, que a pouco menos de um ano atrás, estava aqui mesmo dizendo o quanto os mortos-vivos são horripilantes e desprezíveis e que deveríamos passar a fogo qualquer um que avistássemos. Logo eu, torcendo pelo romance de uma garota com um cara podre!
O mundo dá suas voltas.
Ok, podre foi figura de linguagem. Como diria o próprio Dra. Chase:
-A cibernética proporciona uma melhor qualidade de vida pós-morte. Pág. 172
Ma che?!
Certo, explico: a ciência moderna, liderada pelo famoso Dr. Dearly, pode manter os corpos dos tais não-vivos quase que em perfeito estado. Contanto que eles não abusem e saiam por ai desgastando as juntas à toa, podem ter uma vida quase que normal, considerando as circunstâncias.
Claro, existem os zumbis tradicionais, do tipo que geme e te quer pro almoço, mas quem (que não esteja com o braço sendo mastigado por um desses) liga?!! Tem caras mortos, usando válvulas e bombas para manter o corpo reanimado funcionando! E eles são hilários!!
Lia Habel mostrou em Dearly que tem uma habilidade que faria muitos autores consagrados darem seus primogênitos às fadas por algo parecido. Diálogos ÓTIMOS, do tipo que você pode escutar os personagens falando! Pode até parecer meio bobo, mas deixa a estória muito mais empolgante e real!
Como nem tudo são flores, infelizmente a tradução/revisão foi uma verdadeira decepção! Não acho justo pagarmos caro por livros com traduções que nos lembram aquele programa online ou revisões desleixadas. Se o livro não tivesse todos os erros que encontrei a leitura teria sido bem mais proveitosa!
De qualquer forma, ainda estou tentando me acostumar à parte em que me apaixonei pelo mocinho quase-podre!
Usei um pouco da minha voz de zumbi apavorante, com um ligeiro toque de morte-bate-à-porta. Foi o suficiente para que ele me levasse a sério. Pág. 104
E depois dizem que sutileza é tudo! Gosto da natureza eficiente de Bram, que pode ser fruto da vida militar, mas que o ajuda a ser um bom líder e até lidar com Nora quando está sendo chata de propósito (ela consegue ser muito chata quando quer). A garota pode ser bastante impetuosa, mas é uma boa pessoa, e se esforça do seu jeito para conquistar o Bram.
Mas não se preocupe, pessoa-que-não-está-nem-ai-pro-romance, essa foi só a parte eu mais gostei. Dearly, Departed tem muita ação, aventura e várias situações tensas. Estou contando os dias para 25 de Setembro, quando Dearly, Beloved será lançado lá fora e poderemos saber o que vai acontecer depois do bem, do que aconteceu no final!
BTW, uma trilha sonora? Flogging Molly - Devil's Dance Floor !
Posso sugerir outra? Dropkick Murphys Johnny, I Hardly Knew Ya
Para essa e outras resenhas na íntegra, acesse:
www.desigusson.com