A obra tem como objetivo “ situar a prática política e o pensamento de esquerda do início do século XXI no marco do século anterior” e “oferecer um panorama sistemático do pensamento de esquerda no Norte no começo deste século e compará-lo com o marxismo do período precedente”. Ao se observar o título, o livro não entrega uma análise da história do marxismo aprofundada, mas apenas um emaranhado de artigos que o autor foi escrevendo durante alguns anos (1996-2006). Ansiava por um livro que trata da história do marxismo, mas acaba entregando análises do chamado modernismo, das políticas de esquerda e de algumas correntes do marxismo, particularmente as mais atuais.
Não é um livro para iniciantes no marxismo, na filosofia ou no pensamento crítico, mas é importante já ter algumas leituras iniciais.
O interessante do livro é sempre associar o marxismo como uma teoria e um movimento social, vinculando ciência, filosofia dialética e política. Assim, indica que as esquerdas foram perdendo essa relação e os teóricos permaneceram apenas no nível mais abstrato, sem buscar a transformação da realidade. “O triângulo marxista clássico foi rompido e é improvável que seja restaurado”.
Uma crítica interessante Focar basicamente no marxismo do Norte, se esquecendo do terceiro mundo e dos interessantes marxismos que ali se desenvolveram.
Termino com uma frase interessante sobre a relância atual do marxismo: “Já que não parece provável que o capitalismo ou suas polarizações de percurso de vida venham a desaparecer no futuro próximo, há uma boa chance de que o fantasma de Marx continue a perseguir o pensamento social. … O marxismo não pode ter mais soluções prontas, mas sua agudeza crítica não perdeu necessariamente o fio”.