– Onde começa a aurora?
Eu tinha apenas 10 anos quando, enfrentando minha timidez doentia, fiz essa pergunta.(...) Meu nome é Adrianos, mas há muito tempo me chamam de Adrian, exceto no vilarejo onde minha mãe nasceu. Sou astrofísico, especializado em estrelas extrassolares. (...)
Bem este é um livro que gostaria muito de ter lido durante os dez dias que estive em Salvador, porém ele chegou depois que já tinha ido. Por que? Este é o segundo livro que leio de Marc Levy, e este autor é cheio de nuances, minúcias e pormenores, você não pode deixar de prestar atenção em nada, pois corre-se o risco de perder o "fio da meada".
O primeiro dia é uma narrativa interessantíssimo sobre dois jovens pesquisadores e seus "nada" ambiciosos objetivos. Keira é uma arqueóloga que quer nada mais que nada menos, descobrir a origem do homem; Adrianos ou Adrian como é conhecido quer encontrar a primeira estrela, aquela que deu origem ao universo. Normal não é mesmo? já que se trata de dois grandes estudiosos. É por conta dessas paixões que os dois acabam unidos e envolvidos em um romance que será permeado por mistérios, perigos e aventuras. O causador disso é um pingente que ninguém sabe datar a época, mas há alguém, um menino etíope que Keira apelidou de Harry, ele com certeza sabe de alguma coisa, pois foi quem presenteou a arqueóloga com o misterioso pingente, mas também uma paixão curta que os dois tiveram há quinze anos atrás.
Narrativa inimaginável, pois ela começa devagarzinho e depois entra em um ritmo frenético, que nós leitores nos damos conta rapidamente e queremos ver o que vem a seguir, – é difícil largar o livro depois que o ritmo aumenta –, porém os personagens só muito tempo depois, talvez pela própria natureza de suas personalidades. Keira, é mais "pé no chão", tenta criar uma lógica para tudo; já Adrian, como astrônomo é mais "mundo da lua", apesar dele perceber mais rápido o que está acontecendo com eles, logo identifica que a chave de tudo ou quase tudo, está no pingente que Keira se esqueceu em sua casa, propositalmente, – sabemos posterior – depois que passaram uma noite juntos. Adrian e Keira não se viam há 15 anos, e quando se reencontra parece que o tempo não passou...
(...) Sem esperar reposta, Keira deixou de lado a pasta que segurava , mergulhou em meus braços e me beijou. (...) o verdadeiro beijo de papel, em que sonhei escrever os sentimentos que tinha por ela.(...).
Marc Levy, cria uma narrativa cheia de surpresas e reviravoltas. Tudo é inesperado e de certa forma mágico, um livro formidável, imperdível de se ler. Adrian acaba se apresentando um personagem doce e sensível e Keira, por vezes é um pouco chata, porém isso se dá por conta de seu espírito independente e talvez também em razão de seus fantasmas, talvez...não sei, opinião. Há uma personagem muito engraçado, porém tenho certas reservas é o amigo de Adrian, Walter. É ele quem insiste por razões financeiras que Adrian apresente seu projeto em uma fundação. O que propicia o reencontro de Keira e Adrian, quando os mistérios e as atenções sobre o pingente começam a se formar, ainda que nenhum dos protagonistas se deem conta disso.
Fico por aqui, senão acabarei contado o livro todo. Para quem gosta de saber sobre o surgimento do mundo, a aurora, o primeiro homo, a origem da vida no Vale de Omo, na Etiópia, dentre outras coisas. Marc Levy faz um verdadeiro apanhado sobre isso e junto a um romance sensual e delicado, de duas pessoas que pensam ser muito diferentes um do outro, mas que se completam intensamente.
Livro incessante, fascinante e riquíssimo em informações. Parabéns a Suma de Letras por este título de Marc Levy, ficamos felizes de nosso primeiro livro de parceria ter sido este.
Eu não costumo adicionar vídeos musicais em minhas resenhas, mas está música do Coldplay embala bem o romance de Keira e Adrian - Til Kingdom Come, porquê eles não são românticos ao extremo, mas a relação dos dois é bem diferente e intensa da maneira deles.
Agora aguardemos ansiosos a continuação em A primeira noite.