Entre os dias 15 e 17 de agosto de 1942, o submarino alemão U-507 torpedeou cinco navios brasileiros na costa nordestina, entre Sergipe e Bahia. O Brasil, que até então se declarava neutro, mas sem constrangimento colaborava com o esforço de guerra norte-americano, de repente viu-se obrigado a abandonar a sua cômoda posição de país não-beligerante. Diante da revolta da população, que saiu às ruas em protesto, depredando estabelecimentos comerciais pertencentes a imigrantes alemães, italianos e japoneses, o presidente Getúlio Vargas declarou guerra ao Eixo poucos dias depois. A partir de entrevistas com sobreviventes e de uma extensa pesquisa bibliográfica realizadas ao longo de três anos, o livro reconstrói aqueles dias sangrentos, mostrando o drama dos mais de 600 brasileiros mortos nos afundamentos dos mercantes Baependy, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba e Arará. Náufragos devorados por tubarões, sobreviventes vagando por mais de dois dias sem água ou comida e a menininha que sobreviveu ao afundamento do Itagiba boiando por horas dentro de uma caixa de madeira vazia. Todas essas histórias são contadas em detalhes em U-507 - O Submarino..., o relato mais completo já publicado sobre esta importante página da história brasileira, repleta de dor, sofrimento, indignação e, sobretudo, heroísmo.
U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial
Marcelo Monteiro
Está bem no fundo. Não se pode alcançar... aos poucos,vai roubando o ar." Ana Luiza vai perdendo seu fôlego: o fim de (mais) um grande amor, um pai distante, uma mãe fútil, uma amizade complexa e "pessoas que sempre vão embora". Com suas músicas de rock, seus livros e seus cigarros, Ana Luiza vê sua vida desmoronar. "O amor é uma ferida", ela sentencia. Procurando sobreviver e encontrar seu rumo, a "garota de olhar longínquo" tem um encontro inesperado com um alguém aparentemente muito diferente dela: os "olhos imensos", que tudo veem... Presa em seu próprio mundo e rendida ao álcool e às drogas, Ana Luiza tenta fugir de tudo. Principalmente do temido amor, que tanto a feriu... Ao mesmo tempo a garota procura entender as mudanças inesperadas e os "sonhos que nunca vão acontecer"... Como encontrar, ou reencontrar o próprio destino? Até onde o amor pode ir, até quando pode esperar? O que há além das baladas de rock e dos poemas românticos? Poderá o amor salvar alguém de sua própria escuridão? Às vezes, é necessário perder quase tudo para reencontrar... e finalmente poder amar. O livro de estréia de Leila Krüger tem todos os ingredientes que um bom romance precisa ter. Uma moça sofredora, cheia de problemas, vinda de uma família sem amor, que se afunda nas drogas e no rock para suportar a própria vida. O livro se passa em Porto Alegre e, graças ao detalhismo da autora, mesmo que você nunca tenha ido até lá como eu, poderá se imaginar andando pelas ruas com Ana Luiza e seus amigos. Devo dizer que me identifiquei muito com a Ana Luiza, sabe aquela época da adolescência em que você se apaixona e sempre dá errado? Pois é, queria o tempo todo dizer à Ana que não acontecia só com ela. Mais um detalhe que nos unia: minha música preferida também é November Rain, do Guns, não que não seja apaixonada pela grande maioria das outras que ela também gosta. Aliás, acho que esse é um dos pontos fortes do livro, todas as cenas tem uma trilha sonora, o que embala a nossa imaginação com mais fluidez. Apesar disso, não estamos diante de um romance água com açucar. Ao contrário, o livro tem uma carga emocional bem densa, abordando temas polêmicos e tensos, como relacionamento entre filhos e pais, a morte, a fé, o ateísmo e o uso de drogas. Todos abordados com muita leveza e realidade, sem panos quentes. Cada capítulo é iniciado com um trecho seja de Clarice Lispector, Cecília Meireles, Quintana, ou Chico Buarque, entre outros, como se todos eles estivessem nos preparando para o que está por vir. Pra finalizar a resenha só a tenho a dizer: Leitura obrigatória!
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