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    Dois romances de Nico Horta - Romance

    Cornélio Penna

    José Olympio Editora
    1939
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    4 avaliações
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    Wanderson10/11/2019Resenhou um livro
    3 (Bom)

    UMA VIDA ENTRE FANTASMAS

    Desde sua estreia com “Fronteira”, Cornélio Penna já dera mostra de sua estética "neogótica" carregada de símbolos mortuários e fantasmagóricos. Em “Dois romances de Nico Horta”, apesar do autor ratificar um estilo ímpar, certos maneirismos tolhem o fluxo narrativo e restringem a obra, tornando-a quase um prolongamento do seu livro inaugural. Publicado há exatos 80 anos, o livro acompanha a trajetória de Antônio, “Nico Horta”, figura empalecida, que sofre com o desprezo da família em face de seu irmão gêmeo, Pedro. Como ocorre em outras narrativas com símiles, as diferenças entre ambos são evidenciadas, e, sem grandes explicações, Pedro guarda um profundo desprezo por seu irmão consanguíneo. D. Ana, mãe dos gêmeos, e talvez a figura mais interessante do romance, perde o primeiro marido – “Antônio” – enquanto ainda estava grávida deste. Casa-se novamente, com “Pedro”, que a acolhe com os filhos, mas este trata Nico, que traz o nome do pai, como um “segundo filho”. Apesar disso, o padrasto dá mostras de ser mais condescendente do que a própria progenitora. Em busca de um sentido para sua vida atormentada, Nico incorrerá num tour-de-force psicológico, e, num continuum de ínfimos avanços e dúvidas estertorantes, por fim, obterá um equilíbrio para sua alma alquebrada. Por esse ângulo, não há como negar que o protagonista é um desajustado do mundo, ele próprio um fantasma entre fantasmas, uma versão mais cataclísmica que o confuso Törless, de Musil. A linguagem de Cornélio é de uma rara beleza musical em alguns momentos, capaz de criar uma atmosfera brumosa e imagens profundas como a que se segue: “Os sinos tangem, os sinos tangem, os sinos tangem! Por muito tempo aqueles sons muito puros, repetidos, alucinantes, rolando pelas ladeiras abaixo, por entre as casas anãs, varrendo como um furacão, as ruas onde os grandes sobrados ressoam, batendo e ricocheteando nas montanhas, por muito tempo aquela música sobre-humana tudo absorveu e marcou a memória de todos, nela criando uma legenda faustosa e imediatamente distante, antiga. (p. 364)”. Contudo, cedo-me a concordar com Mário de Andrade, em uma nota para este segundo trabalho do prosador mineiro: “...o romancista exagera um bocado na utilização do tenebroso, do mistério, do mal-estar, e se repita mesmo, no emprego de certos efeitos já aparecidos em ‘Fronteira’". Não obstante, Cornélio Penna é um nome a ser redescoberto e analisado, e é um caso interessantíssimo da nossa literatura.

    5 curtidas

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    Cornélio Penna profile picture

    Cornélio Penna

    Cornélio Penna foi um romancista, pintor, gravador e desenhista do Brasil. Participou da Segunda Fase do Modernismo no Brasil e criou o realismo psicológico brasileiro.<br>Penna iniciou seus estudos em Campinas, formando-se em Direito em São Paulo em 1919 e, no ano seguinte, deu início a sua carreira artística na cidade do Rio de Janeiro. Lá realizou sua primeira exposição pessoal, em 1920, tendo trabalhado como pintor, gravador, ilustrador, jornalista e desenhista em jornais ou de forma independente. Na década de 1930 abandona as artes plásticas em favor da literatura, a qual passa a dedicar-se integralmente.<br>Escreveu quatro romances na linha psicológica de ficção brasileira (1935-1954): os romances Fronteira (1935), Dois romances de Nico Horta (1939), Repouso (1948) e A Menina Morta (1954). A Menina Morta é considerado um dos melhores romances já escritos no Brasil. Suas histórias são caracterizadas pelos capítulos curtos e pela criação de uma atmosfera de estranheza.<br>Com sua morte, deixa inacabado Alma Branca.

    8 Livros
    11 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Cornélio Penna