Rebeka Weér, outrora uma famosa atriz, hoje vive enclausurada em seu apartamento. Proibida de continuar a carreira pelo governo totalitário húngaro, depois que a filha violinista fugiu para o Ocidente, ela se tranca em casa até o último dia de vida e vigia cada passo do filho Andor. Incapaz de lidar com o caráter tirânico da mãe, mas temeroso em abandoná-la, ele acaba tornando-se solidário ao isolamento de Rebeka e passa a mandar cartas para ela como se tivessem sido escritas pela irmã. Attila Bartis narra com intensidade arrebatadora a vida do aspirante a escritor, sua relação edipiana com a mãe reclusa e seu conturbado relacionamento amoroso. A Tranquilidade é um dos romances psicológicos mais sombrios e irônicos da literatura contemporânea húngara e um dos livros essenciais para entender as transformações políticas no país.
A Tranquilidade -
Attila Bartis
De quando em vez é bom andar no escuro e tatear por algum livro completamente desconhecido. No caso de A TRANQUILIDADE de ATTILA BARTIS, foi um presente e então uma surpresa, já que eu desconhecia o autor. O romance tem uma história boa até. É o cotidiano de um escritor que vive com sua mãe que não sai de casa há quinze anos. Ela foi uma atriz de prestígio, mas agora apenas agride o filho com obscenidades, grita e não quer saber do mundo ou de pessoas. Ou seja, está com algum tipo de demência. Mas esta então como de praxe desaparece e para ela é como se jamais tivesse tido qualquer briga com o filho. Não importa o que ele fale, sempre vai estar errado, ela vai se agitar e o inferno começar. Ainda mais quando ele sai e ao retornar ela fala que ele andou com putas e blá, blá, blá... O rapaz se envolve com uma mulher que também tem seus problemas, mas esta consegue uma editora para que ele possa negociar seu primeiro livro, mas ali acaba por conhecer alguém que não fez a vida da mãe dele muito feliz no passado e mais blá, blá, blá.... Como disse, o enredo é bom, mas o grande problema é que as personagens não se desenvolvem. Não que seja preciso isso de fato, mas ali, todos parecem ter algum problema mental aparente devido a traumas de infância ou mesmo devido a vida que levam atualmente. Os diálogos não são dos melhores. A narrativa em primeira pessoa se torna cansativa quando o protagonista repete centenas de vezes a palavra: pensei. É como um vício de linguagem. É funcional por um momento, mas depois torna-se insuportável. Ele diz alguma coisa e em seguida finaliza com: pensei. E isso sendo repetido mais de dez, vinte, trinta vezes num único parágrado é um verdadeiro pesadelo. Outra coisa que entristece a escrita é a questão de que num mesmo parágrafo há diálagos de várias personagens, tudo misturado, inclusive com relação ao tempo: passado e presente. E a leitura daí acaba por afundar na lama. Ainda há a outro fator: o cenário. Ocorre em Budapeste, ao que parece numa época em que o regime comunista estava caindo, porém, estas informações são escassas e provavelmente pra um leitor estrangeiro fica ainda mais complexo enquanto pra alguém da terra do autor com toda certeza flui melhor a ambientação (há menções em companheiro de partido, mas isso não ajuda a se localizar temporalmente)... Se esse romance tivesse personagens mais trabalhados, com diálogos mais desenvolvidos e principalmente não mesclasse tudo em um só lugar (sem esquecer a atmosfera) além da absurda repetição do pensei, com certeza seria maravilhoso. Mas infelizmente é uma obra a qual pouco aproveita-se da trama, ainda que carregada pela relação pesadamente psicológica da senhora e seo filho. L. L. Santos
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