Nestes tempos de império das imagens – quando a frase de que uma imagem vale mais que mil palavras nem sequer é examinada, passa por definitiva –, a vingança da poesia está em provar o contrário: provar que há coisas que só podem ser ditas com palavras. Palavras bem selecionadas, é claro, captadas por uma rede fina de inteligência e sensibilidade. E essas coisas que só a palavra poética consegue dizer são exatamente as mais fundas, as mais prenhes de força humana. João Cláudio Arendt, neste Plural da Ausência, prova bem isso. Não por acaso ele põe a experiência erótica em palavras fluidas, quase como água que foge. A habilidade do poeta consegue reter essa fluidez do contato dos corpos que, não fosse isso, escorreria para o escuro dos abismos. Da mesma forma que retém a corrosão do tempo, que os pássaros (poetas) tentam costurar. José Clemente Pozenato
Plural da Ausência -
João Claudio Arendt
Biblioteca Pública Municipal Dr. Demétrio Niederauer
2009
112 páginas
3h 44m
ISBN-13: 9788561976033
Português Brasileiro
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