Entre BH e Texas - crônicas

    Carlos Herculano Lopes

    Record
    2004
    179 páginas
    5h 58m
    ISBN-10: 8501068942
    Português Brasileiro

    Obrigado", lhe respondi, e só então vi que aquele rapaz estava vestido a caráter, quase igual a John Voight em Perdidos na noite. Chapéu de caubói, camisa jeans bordada, calça de brim azul e botas de rodeio. Ainda por cima era loiro e tinha olhos azuis. "É o próprio, pensei. A chuva não parava de cair e o carro não saía do lugar."Que toró, hem amigo?", ele disse, sorriu, e parecia de bem como a vida. Em seguida falou de outras coisas , e, aproveitando a abertura lhe perguntei: "Você é de Barretos?". "Não, sou do Texas...", respondeu." Como do texas...?", eu falei. "Quero dizer...eu sou mesmo é de Governador Valadares, mas vivo entre BH e Texas, onde passo oito meses por ano...". "Gosto de me vestir assim, como o pessoal de lá...", completou, como se estivesse justificando, ao mesmo tempo qu perguntava:"Você gosta de música country...?"

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    Henrique Luiz Fendrich04/09/2019Resenhou um livro
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    Carlos Herculano Lopes na tradição da crônica mineira

    Carlos Herculano Lopes é mineiro, o que sem dúvida contribui bastante para que também seja cronista. Herdeiro do ótimo Roberto Drummond, ele também dedica ao cotidiano um olhar sensibilizado e normalmente otimista. Da mesma forma, pratica os pequenos contos, que inclusive compõem a maior parte das crônicas de “Entre BH e Texas” (Record, 2004). São histórias simples, mas bem escritas e de temática criativa. De vez em quando, o próprio cronista se faz personagem. Há crônicas episódicas tiradas das andanças do cronista por Belo Horizonte, como a crônica título, ocasiões em que tenta captar um instante de beleza ou uma situação inusitada. Vez ou outra ele também cede à nostalgia do passado e há alguns textos que poderiam ser chamados de sérios. Bastante singular é a relação do cronista com os seus leitores, que a partir do meio do livro começam a merecer dedicatórias ao final de cada crônica. Também há eventuais respostas em forma de crônica a manifestações dos leitores, o que sugere, mais uma vez, a necessidade de se considerar o espaço jornalístico na feitura do texto. É possível observar no estilo de Carlos Herculano alguns períodos bastante longos, com muitas informações sendo acrescidas através de vírgulas, e nem sempre se consegue chegar ao final com a devida compreensão. Também é curioso observar a quantidade de personagens que fumam ou que não fumam porque estão tentando parar de fumar. São crônicas pequenas, com pouco mais de duas páginas, e a leitura não demora. Talvez não sejam tão excepcionais quanto a dos muitos cronistas da tradição mineira, mas são crônicas dignas de uma leitura agradável.

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