Comprei o livro por indicação de um professor de um curso livre que faço de improvisação (teatro).
É um livro pequeno, porém, muito rico em termos de conteúdo. O propósito do autor é relatar sua experiência com relação à cultura japonesa e ao tiro com arco na visão do zen budismo.
Duas lições que aprendi na primeira leitura:
1) Nós podemos fazer coisas que nem sequer imaginamos. Basta alguém mais experiente para nos guiar nesse caminho. Sozinho jamais alcançaremos.
2) Alguns processos (ex.: pintor preparar todo o material que utilizará ao invés de um assistente o fazer) são extremamente importantes para o artista, pois é o que inicia a concentração. Jamais devemos terceirizar esse tipo de "ritual".
Alguns trechos do livro:
"O mestre pode mostrar-lhe algo de que ele tinha ouvido falar muitas vezes, mas cuja realidade só agora fica tangível, em virtude das suas próprias experiências."
"O discípulo descobre em si mesmo que a obra interior que ele deve realizar é bem mais importante que as obras exteriores, por mais atraentes que sejam, e que ele deve persegui-la se quiser ser o artífice do seu destino de artista."
"A fim de que o aluno supere a prova da solidão, o mestre se separa dele, exortando-o cordialmente a prosseguir mais longe do que ele"
"O que se passa com o senhor? Já sabe que não se deve envergonhar pelos tiros errados. Da mesma maneira, não deve felicitar-se pelos que se realizam plenamente. O senhor precisa libertar-se desse flutuar entre o prazer e o desprazer. Precisa aprender a sobrepor-se a ele com uma descontraída imparcialidade, alegrando-se como se outra pessoa tivesse feito aqueles disparos."
"(...) quando se reencontrarem com seus amigos. Não haverá a mesma vibração em uníssono de antes, pois vocês passaram a ver as coisas de maneira diferente e a medi-las com parâmetros até então não utilizados."