As historias e lendas da mitologia grega e de outras civilizações antigas persistiram ao longo do tempo. Foram preservadas como quem vai a guerra e sobrevive pela proteção de escudo. Aí nos perguntamos: por quê? O que levaria algo "fantasioso" a ultrapassar tanto tempo, mesmo com a suposta fragilidade do irreal? Da mesma forma, porém, podemos questionar isso em A Tralha Graga e Outras Tralhas, é possível, também, depararmos-nos com historias extraordinárias, nas quais predominam sentimentos atemparias, como amizade, concórdia, discórdia, superação, medo, coragem, vulneravilidade, ambição, ousadia, orgulho, honra, gloria e tantos outros que permeiam a alma humana. Assim, Natalício Barroso, ao rememorar essas narrativas mitológicas, às quais se refere como tralhas, mostra-nos que aquilo que supostamente significa nada está carregado de tudo, ratificando o paradoxo que Fernando Peasoa há muito apertou: " O mito é o nada que é tudo."
