Foco -

    Arthur Miller

    Companhia das Letras
    2012
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-13: 9788535921328
    Português Brasileiro

    Neste romance pioneiro em escancarar o antissemitismo nos Estados Unidos, o grande dramaturgo apresenta um quadro realista e muitas vezes surpreendente sobre as incertezas na vida dos imigrantes em Nova York. Escrito em 1945, Foco é um dos primeiros livros a tratar diretamente de uma questão delicada: o preconceito contra judeus no famoso melting pot dos Estados Unidos - nação que sempre se orgulhou de acolher as mais diversas etnias ao longo de sua história. Quase setenta anos depois de sua publicação, o texto de Arthur Miller permanece incisivo em apontar com clareza, força e pertinência as contradições no interior de uma sociedade multicultural. Newman, um gentio de ascendência inglesa, circula ileso por uma Nova York em que cada bairro encerra um grupo étnico diferente. A tensão, porém, parece estar sempre latente. Muitas vezes, inclusive, descamba-se para a violência: com uma proximidade inquietante do cotidiano do personagem, uma mulher hispânica sofre abuso, o dono de uma loja judaica é perseguido. Newman parece permanecer alheio. Tudo isso muda quando ele começa a usar um prosaico par de óculos e passa a ser confundido com um judeu. Mesmo seu chefe começa a desconfiar de que Newman não passa de um judeu assimilado tentando escamotear suas origens. Esse mal-estar também põe em xeque sua promoção na firma. E ainda lhe reservará muitas surpresas ao longo de sua trajetória.

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    Monique Gerke21/06/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "O que o senhor vê que o deixa tão louco quando olha para mim?" (Pag. 208) . . A história se passa em New York, perto do fim da segunda guerra. O clima é extremamente hostil para os judeus, seja pela guerra (muitos os consideravam os causadores dela, logo, culpados), mas principalmente pelo preconceito formado. O personagem, Lawrence Newman, não é propriamente um antisemita, mas ignora o tratamento rude, hostil e violento que é destinado aos judeus no meio em que vive...isso, até ele precisar usar óculos, e acabar sendo confundido com um judeu, o que afeta sua vida de forma drástica. O desenrolar da história até o clímax e consequente final, é muito bem amarrado e escrito. Eu achava que ia ser bem clichê, do tipo, "agora que ele recebe o tratamento igual dos judeus, percebe como tudo é injusto, e acaba se curando de seu preconceito"..mas, não, é muito mais complexo que isso! Arthur Miller deu um senso de realidade aos personagens, que fiquei me perguntando se não pode ter sido real, de tão bem pensado e escrito. Esse tipo de história sempre me deixa uma impressão de distopia..pessoas se reunindo para incentivar ódio por outra pessoas, por causa da origem, cor...enfim, achando normal o uso da violência, isso sempre vai me parecer irreal. Que medo!

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