A Suavidade do Vento -

    Cristovão Tezza

    Record
    1991
    204 páginas
    6h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Cristovão Tezza, um dos maiores talentos da literatura contemporânea brasileira, autor de O Trapo, Breve espaço entre cor e sobra, Juliano Pavollini, entre outros livros, cria neste romance personagens complexos, com pensamentos e sentimentos vivos, que praticamente saltam do papel para ganhar vida na imaginação do leitor. A realidade tragicômica de Matôzo, limitada e angustiante, é um espelho de seus próprios medos. Mesmo ansiando a revelação de um novo Matôzo (o Mattoso), ele só consegue libertar-se de si mesmo quando, por meio de seu livro, extravasa suas idéias sem censura nem timidez. E quando isso acontece ele descobre um terceiro Matôzo, diferente do primeiro, pois liberto da timidez e dos medos, e diferente do Mattoso, pois este não passa de uma idealização boba e inconsistente. Justamente por isso, "A suavidade do vento" afirma sobretudo o poder transformador da literatura, tanto para o autor quanto para a sociedade que o cerca.

    Resenhas (8)Ver mais
    Marcos Aurélio Carvalho picture
    Marcos Aurélio Carvalho29/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um Paspalho que eu adoraria encontrar

    Josilei Maria Matôzo, ou Jordan Mattoso, busca no I-Ching o empurrão para o caminho já está determinado a tomar. Falta-lhe força, determinação, ousadia, falta-lhe coragem. No apartamento pequeno, desconfortável, ao som de Pink Floyd, encorajado pelo whisky do Paraguai, Matôzo se transforma Mattoso. Não um super herói, mas um retrato de tanta gente. De respostas caladas, de tapas na cara da vida sofrida, do sofrimento, da vida atormentada. Matôzo, que alimenta os monstros, pode ser um paspalho, mas é genuinamente um ser humano do bem. Outro destes exemplares que se contenta com pouco, e se conforta com o que tem, como se fosse o que merece. O I-Ching, a bebida, o jogo, os montros, só fazem mal a si mesmo. Inofensivo, não se dá conta que vive uma solidão acompanhada, que é sua melhor companhia. Sim, Matôzo, amigo de Mattoso, e não os outros que lhe dedicam migalhas de carinho, e respeito. Os outros que retratam um ser humano que prefere dar esmola, a ajudar o próximo a vencer. Matôzo é um dos meus personagens preferidos. O primeiro livro que reli na vida. Cristovão Tezza, um belo escritor. Eu jogaria uma partida de caneco, numa mesa com Matôzo, Cristovão e os monstros. Quem sabe eu levasse os meus próprios monstros.

    11 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 77
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas4%