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    A Outra Face da Lua - Escritos Sobre o Japão

    Claude Lévi-Strauss

    Companhia das Letras
    2012
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788535921397
    Português Brasileiro
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    Como Claude Lévi-Strauss afirma numa passagem desta coletânea de textos inéditos no Brasil, "dediquei a maior parte de minha vida profissional ao estudo da mitologia(...). Assim, eu só podia me mostrar profundamente sensível à vitalidade que os mitos conservam no Japão". Embora o autor de Tristes Trópicos só tenha observado a cultura nipônica pela primeira vez in loco quando já era quase um septuagenário, seus vínculos pessoais com o país do sol nascente remontam à infância, quando começou a colecionar estampas de artistas como Hiroshige e Hokusai. Os textos reunidos em A Outra Face da Lua resultam das cinco visitas que Lévi-Strauss fez ao Japão entre 1977 e l988. Acompanhando pesquisas etnográficas no arquipélago de Okinawa, perambulando pelas ruas apinhadas de Tóquio e estabelecendo contatos com eminentes cientistas e artistas, ele renovou sua paixão pelas obras de arte, crenças, costumes e mitos japoneses. Segundo Lévi-Strauss, nos primeiros tempos da humanidade o arquipélago japonês atuou como uma espécie de mediador entre as culturas asiáticas e ameríndias. Assim, por sua localização geográfica e pelo singular apego de seu povo às tradições arcaicas, diversas ilhas preservaram resquícios do alvorecer cultural da espécie humana. Como nota dominante do livro o autor procura explicar como uma sociedade que já foi considerada o exato contrário da civilização ocidental pôde se transformar num modelo de tolerância, preservação e inovação para todo o mundo.

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    Claude Lévi-Strauss

    Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas, em 1908, numa visita de seus pais, franceses, a Bélgica. Criador da antropologia estrutural, é um dos maiores intelectuais do século XX. Estudou direito e filosofia em Paris, nos anos 1930. Em 1934, recebeu o convite da missão francesa ao Brasil para a criação da Universidade de São Paulo, na qual, aos 26 anos, ocupou a cadeira de Sociologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Durante sua permanência no país, fez expedições ao interior, entre os povos Bororo, os Kadiwéu e os Nambikwara, recontadas mais tarde no seu célebre livro Tristes trópicos (1955). Foi a partir desses estudos no Brasil que Lévi-Strauss tornou-se etnólogo. Durante a Segunda Guerra, partiu para o exílio nos Estados Unidos, como professor da New School for Social Research. Na sua volta à França, lecionou na École de Hautes Études em Sciences Sociales e no Collège de France. Publicou O pensamento selvagem (1962) e Antropologia estrutural (1958, 1973), cujo primeiro volume foi reeditado pela Cosac Naify em 2008, mesmo ano em que teve sua obra incluída na coleção Pléiade, da editora francesa Gallimard. Ao longo de 20 anos dedicados ao estudo dos mitos dos povos indígenas americanos, escreveu sua obra maior, a série Mitológicas (1964, 1967, 1971, 1974; Cosac Naify). Fundou o Laboratório de Antropologia Social e a revista L’Homme (1961). Em 1973, passa a fazer parte da Academia Francesa. Faleceu em 1º de novembro de 2009, poucos dias antes de completar 101 anos.

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    Claude Lévi-Strauss