O livro tem centenas, talvez mil palavras e nomes nas línguas Nhengatu ou Tupi ou Guarani ou Mawé ou sei lá! Árdua leitura!
Infelizmente também faltou ao autor verve pra tornar a leitura mais prazerosa! Sobram mitos e lendas e definições - tudo está muito resumido, compactado em tão poucas páginas.
No final tem umas trinta ilustrações, coloridas, muito bonitas, sem qualquer referência no texto, sem uma miserável notinha explicativa, em páginas que não são sequer numeradas! E não se sabe quem é o autor (ou autores).
Vários errinhos de português (ex.: serrar fileiras); crase por exemplo... Interessante ver palavras no livro, em negrito, que devem ser na língua dos Mawés (talvez, possivelmente), mas que já são faladas e até dicionarizadas: curupira, surucucu, caititu, caipora, iara, até "pínto-piroka" [pág. 39].
É um mundo cheio de espíritos, almas, seres etéricos (bons, maus, neutros), pessoas com poderes de ver o mundo invisível, pajelanças (cura pelas ervas e cura pelos espíritos pág. 41), comunicação com os mortos e com espíritos (pág 43).
Estava indo quase bem, mas na hora que o "mito" "amazônico" "Mawé" fala ouro, prata, petróleo, NIÓBIO, urânio, diamante... - tudo na mesma frase, o lobinho que estava na pele de cordeiro mostra seus dentes. E a credibilidade do escrevente (já prejudicada por escorregões aqui e alí) vai pro saco, pra caixa-prego, pras cucuias (e essa palavra deve ser do idioma Nhengatu!).
É um alinhamento abilolado, fruto do engajamento a pautas modernosas. Que o cunhado (palavra escolhida a dedo, com o significado magnificamente explicado pelo grande Darcy Ribeiro) achou por bem enfiar, de leve, no texto. Podre! No final tem outra maravilha: "se removerem os minérios, os guardiões (...) vão acabar com o mundo".
Se pensar que na idade da pedra se usava pedra, que é rocha e é mineral sim, que índio faz pote de barro e se pinta com argila (e barro e argila são "minérios") então nunca teve e jamais terá salvação esse mundo.
Tempo perdido!