Até Que a Sorte nos Separe -

    Alison Lurie

    Record
    1974
    324 páginas
    10h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A história brilhante e cheia de espírito de um casamento vítima do sexo jovem,da meia-idade e de velhos sonhos.

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    Maciel Muss Sein picture
    Maciel Muss Sein05/11/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    livro Até que a Sorte nos Separe, de Alisson, é uma narrativa leve, divertida e ao mesmo tempo crítica, que mostra como a riqueza repentina pode transformar — e até destruir — a vida de uma pessoa despreparada para lidar com ela. Misturando humor, drama e reflexão social, o autor constrói uma história que fala sobre consumismo, ambição e o verdadeiro sentido da felicidade, convidando o leitor a pensar sobre o valor do dinheiro e o poder das escolhas. A trama gira em torno de Tino e Jane, um casal comum que vive uma rotina de classe média, cercada de sonhos, dívidas e pequenos problemas cotidianos. Tudo muda quando Tino, por pura sorte, ganha uma fortuna na loteria. O casal, que antes lutava para pagar as contas, passa a viver no luxo, gastando sem limites e acreditando que a felicidade está no poder de comprar tudo o que desejam. Porém, o que começa como um conto de fadas rapidamente se transforma em uma comédia de erros e excessos, quando o dinheiro, mal administrado, começa a desaparecer. O autor desenvolve o enredo com ritmo dinâmico e linguagem acessível, equilibrando momentos de humor e crítica social. A figura de Tino é o centro da comicidade: um homem simples, impulsivo e sonhador, que não entende nada de finanças e acaba se perdendo em meio à própria sorte. A personagem Jane, por outro lado, representa o lado emocional e familiar da história — a esposa que tenta manter a união e a estabilidade mesmo diante do caos financeiro. Essa dualidade entre razão e emoção, luxo e simplicidade, cria a base para as situações engraçadas e, ao mesmo tempo, reveladoras da trama. Por trás das risadas e das confusões, o livro carrega uma mensagem moral profunda: o dinheiro, quando mal compreendido, pode se tornar uma armadilha. A obra faz uma crítica sutil ao consumismo e à cultura da aparência, mostrando que a felicidade não depende da riqueza material, mas do equilíbrio e da sabedoria em viver com o que se tem. O autor usa o humor para tratar de temas sérios — como a irresponsabilidade financeira, o descontrole emocional e a perda dos valores familiares — de forma leve e acessível, tornando o texto próximo da realidade de muitos leitores. Outro ponto interessante é o contraste que Alisson cria entre o sonho e a realidade. O título Até que a Sorte nos Separe é uma brincadeira com a expressão usada nos casamentos (“até que a morte nos separe”), sugerindo que o dinheiro pode ser, muitas vezes, mais destrutivo que a própria morte quando mal administrado. A sorte, que parecia um presente, revela-se uma prova: o que Tino e Jane farão com o poder que receberam de repente? A resposta vem ao longo do livro, à medida que os personagens aprendem — com erros e reviravoltas — o verdadeiro sentido de prosperidade. A narrativa é leve, fluida e repleta de situações que misturam comédia e crítica social. O autor utiliza uma linguagem simples, mas envolvente, que aproxima o leitor das personagens e o faz refletir sobre o próprio comportamento diante do dinheiro. A história mostra que a riqueza não é capaz de resolver os problemas da vida e que, muitas vezes, o excesso de bens materiais afasta as pessoas do essencial: o amor, a honestidade e o equilíbrio. No final, Até que a Sorte nos Separe é mais do que uma história engraçada sobre um homem que ganhou na loteria — é uma fábula moderna sobre responsabilidade e maturidade emocional. Alisson transforma uma comédia cotidiana em uma lição de vida, lembrando que sorte nenhuma substitui o valor do trabalho, da prudência e do afeto. A verdadeira riqueza, sugere o autor, está na capacidade de aprender com os erros, recomeçar e dar prioridade ao que realmente importa. Assim, o livro de Alisson cumpre seu papel de entreter e ensinar ao mesmo tempo. É uma leitura leve e agradável, com personagens carismáticos, humor inteligente e uma mensagem atemporal: a de que o dinheiro pode até mudar o destino de uma pessoa, mas apenas o amor, o bom senso e a consciência podem garantir que a sorte não se transforme em perdição.

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