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    A Terrível Intimidade de Maxwell Sim -

    Jonathan Coe

    Record
    2012
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788501091574
    Português Brasileiro
    3.5
    99 avaliações
    Leram126Lendo9Querem147Relendo0Abandonos8Resenhas5
    Favoritos5Desejados147Avaliaram99

    Maxwell Sim está no fundo do poço. Foi abandonado pela mulher e pela filha, não consegue ter uma conversa verdadeira com seu pai, possui apenas um amigo e seu emprego está por um fio. Surge, no entanto, uma luz no fim do túnel: Maxwell recebe a proposta de fazer uma viagem até o extremo norte do Reino Unido para representar uma empresa de escovas de dentes ecologicamente corretas. Mas será que ele está preparado para para enfrentar a solidão nas estradas e para encontrar os fantasmas de seu passado no caminho paras as Ilhas Shetland? Ao mesmo tempo divertido e profundo, o novo livro de Jonathan Coe é uma envolvente sátira sobre o homem moderno, imerso em redes sociais mas cada vez mais solitário.

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    Resenhas (5)Ver mais
    Daniel Boratto picture
    Daniel Boratto30/09/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Jornada ao autoconhecimento

    Jonathan Coe voltou a acertar neste romance. Depois do triste e decepcionante “A chuva antes de cair”, neste “A Terrível Intimidade de Maxwell Sim” ele faz lembrar a prosa de seus melhores livros, “Bem vindo ao clube” e “O círculo Fechado”. Coe exercita ao máximo sua crítica irônica à medonha solidão do mundo virtual “conectado” e suas ilusórias rede de amigos: as pessoas próximas fisicamente acabam se afastando e, ao contrário, se aproximando e se tornando confidentes de meros desconhecidos. Perdeu-se o abraço, o olho no olho da conversa: basta olhar os tristes casais ou pais e filhos com seus respectivos iphones, isolados dentro e fora de casa, nas mesas de bares e restaurantes. A história de Maxwell sim é narrada por ele próprio, com idas e vindas no tempo. O autor lança mão habilmente de recursos dentro da narrativa que a completam – uma notícia de jornal, um conto ou uma carta escrita por uma das personagens, etc. – e a viagem solitária de Maxwell pelas estradas do norte da Inglaterra fica cada vez mais estranhamente semelhante a uma outra viagem de um navegador solitário nos anos 70... E boas surpresas são reservadas ao leitor. Além da crítica à nossa realidade monitorada ao modelo Orwell, há arestas também pelo que a globalização vem fazendo com as características peculiares de cada região. É impossível não concordar com uma personagem octogenária que lamenta o desaparecimento de tudo aquilo que dá identidade própria a uma comunidade: as lojinhas, as livrarias, os pubs dos bairros, que sumiram para dar lugar às grandes redes corporativas, com seu atendimento padronizado e comida pasteurizada. Embora o personagem principal seja uma figura tristíssima na sua solidão, o autor soube desenvolver a narrativa sem que ela ficasse em nenhum momento pesada ou deprimente: a saga de Maxwell Sim é divertida e engraçada. Ele foi criado sem o afeto dos pais (ausência de afeto tanto entre pai e filho quanto entre pai e mãe), cresceu com baixa autoestima, tornou-se imaturo emocionalmente, incapaz de reconhecer e expressar seus próprios sentimentos, e minou todos os relacionamentos pela vida a fora. O resultado não poderia ser outro: ele “surta” quando confrontado com sua própria história e quando tem que encarar a si próprio. “A gente dá voltas por aí todos os dias, corre para lá e para cá, a gente fica a centímetros de tocar uns nos outros, mas há pouco contato real. Sempre por um triz.. Sempre quase. É assustador, se a gente parar pra pensar. Provavelmente é melhor não pensar mesmo.”

    23 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 99
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas6%
    Jonathan Coe profile picture

    Jonathan Coe

    Escritor britânico, nascido em 1961, Jonathan Coe ensinou Poesia Inglesa na Warwick University. Foi jornalista, revisor free-lancer e músico profissional, até se firmar na literatura. Sua estréia aconteceu em 1987, com The Accidental Woman. Seu trabalho de maior destaque, foi <i>O Legado da Família Winshaw</i> (What a Carve Up!, 1994). Com o seu livro <i>A Casa do Sono</i> (The House of Sleep) Coe ganhou o Writers’ Guild Award. Apaixonado por cinema, Coe já escreveu biografias de Humphrey Bogart e James Stewart. Em 2004, foi ordenado Chevalier de l’ Ordre des Arts et des Lettres (Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras). Este grau é conferido pelo Ministério da Cultura francês e, segundo este organismo, visa “recompensar quem se distingue pelas suas criações no domínio artístico ou literário ou pela sua contribuição para o reino das Artes e Letras em França e no mundo”.

    14 Livros
    28 Seguidores

    Jonathan Coe