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    Últimas Palavras -

    Christopher Hitchens

    Globo Livros
    2013
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788525052742
    Português Brasileiro
    4.2
    307 avaliações
    Leram442Lendo7Querem275Relendo2Abandonos4Resenhas31
    Favoritos28Desejados275Avaliaram307

    Em 2010, o jornalista e polemista britânico Christopher Hitchens foi obrigado a interromper subitamente a turnê de lançamento de seu livro de memórias Hitch-22. O diagnóstico de um câncer em estado avançado determinava, então, uma guinada radical em sua vida. O intelectual bon vivant movido a nicotina e a álcool cedeu espaço a um estoico paciente em busca de cura – um empreitada frequentemente árdua e desencorajadora, mas que foi encarada com destemor por Hitchens até o fim, em dezembro de 2011. Por meio da coluna que assinou por anos na revista Vanity Fair, Hitchens não só assumiu a doença publicamente como passou a descrever a gradual deterioração da própria saúde decorrente do tratamento por quimioterapia – sem um pingo de sentimentalismo, mas com a contundência e o humor característicos de seu estilo. A coletânea desses artigos, bem como anotações esparsas deixadas pelo autor, compõe Últimas palavras, título póstumo que chega ao Brasil no mesmo mês do lançamento mundial. Em Últimas palavras, Hitchens, um dos grandes nomes do ateísmo moderno, ironiza detratores que associam o câncer a uma vingança divina, questiona o efeito prático das orações e revolta-se com a presença de crucifixos nos quartos de hospitais religiosos – mas se mostra grato pelas manifestações de solidariedade recebidas de pessoas das mais diversas crenças. Observador arguto do comportamento humano, reflete sobre como as pessoas tratam vítimas do câncer e arrisca sarcásticas dicas de etiqueta para esses casos. Defensor da ciência e da razão, comenta os avanços da medicina com admiração e uma ponta de esperança, enquanto critica o modus operandi das instituições e profissionais de saúde. Ao escrever sobre si mesmo diante da expectativa da morte, Hitchens revela admirável desprendimento. Sem autopiedade, e com a mesma honestidade com que detalha sua decrepitude física, põe em xeque antigas convicções (como o enunciado nietzscheano “o que não me mata me fortalece”, que deixou de ter sentido para o autor depois das altamente debilitantes sessões quimioterápicas). A coragem da transparência, que havia pautado toda uma vida, manteve-se inalterada até o fim, como atestam as últimas – e talvez as melhores – palavras de Christopher Hitchens.

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    Daniele picture
    Daniele04/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Christopher se consagrou como um exímio crítico, fez sua carreira em meio a guerras — literais e metafísicas — tornando-se uma figura muito admirada (e odiada) pelo público. Seu texto, marcado por uma inconfundível acidez, perspicácia e inteligência, se tornou referência em debates, sejam eles políticos, culturais, ou onde se cercou de polêmicas, religiosos. Não diferente do que vi em "Deus não é grande", em "últimas palavras" manteve um discurso duro, implacável, livre de autopiedade e cheio de uma verdade nua e crua dolorosa. Não imagino o quanto foi difícil, com a morte a frente, ter ouvido e recebido comentários maldosos de pessoas "de bem", embora saiba que ele mesmo tenha deixado esse paradoxo para os que oraram por sua cura. Seu relato me emocionou muito, também me chocou e está me fazendo refletir. Por fim, como se prevendo aos que o chamariam de corajoso por ter "enfrentado uma dura luta contra o câncer, escreveu: "Corajoso? Tá, guarde isso para uma luta da qual você não pode fugir" Que falta faz!

    9 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 307
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Christopher Eric Hitchens profile picture

    Christopher Eric Hitchens

    É um autor americano, Inglês e jornalista . Seus livros, ensaios e carreira jornalística que dura mais de quatro décadas, tornando-se um público intelectual. Como um observador político, polemista e auto-definido radical com um conhecimento histórico astuto, Hitchens alcançou proeminência como um acessório da esquerda de ambas as publicações nativas seu Reino Unido e Estados Unidos. Hitchens é um ateu e tem sido identificado como um expoente do " novo ateísmo "movimento. Ele e colegas de alto perfil ateus contemporâneos Richard Dawkins , Sam Harris e Daniel Dennett tem sido muitas vezes referido como um dos quatro cavaleiros do apocalipse. Hitchens é conhecido por sua grande admiração por George Orwell, Thomas Paine, e Thomas Jefferson, e também por suas fortes críticas a Madre Teresa de Calcutá. Morreu devido a câncer em 2011.

    14 Livros
    131 Seguidores
    Hamspshire, Inglaterra

    Christopher Eric Hitchens