Literatura Lado B -

    Denize Helena Nazarin, Rodolfo Rorato Londeiro

    Ed. da Unicentro
    2012
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-13: 9788578911317
    Português Brasileiro

    http://www.literaturaladob.com.br/ A origem do título desta coletânea encontra-se em determinada pas- sagem de um artigo do professor Edgar Nolasco – “Literatura, mercado e consumo” (2007) –, aliás, indispensável para compreender as literaturas aqui discutidas: Nolasco nos propõe a desarquivar o famoso escritor argentino Jorge Luis Borges, tornar público “o lado ‘b’ de Borges” (NOLASCO, 2007, p. 36). Neste sentido, desarquivar Borges é lembrar, por exemplo, que ele concorreu ao prestigiado prêmio de ficção científica Nebula em 1976, sendo nominado seu conto “Utopía de un hombre que está cansado” para a catego- ria Best Short Story. Borges perdeu para Fritz Leiber e seu conto “Catch that Zeppelin”. Do mesmo modo, o escritor e ensaísta Braulio Tavares desarquiva outro nome conhecido da literatura em A pulp fiction de Guimarães Rosa (2008), sendo o lado b de Rosa identificado em três contos publicados durante sua juventude: o horror gótico em “Highmore Hall” (1929), a fantasia heroica em “Makiné” (1930) e o fantástico cósmico em “Kronos kai Anagke” (1930). Tavares ainda acrescenta a ficção científica em “Um moço muito branco”, publicado em Primeiras estórias (1962). Para os dois escritores acima, a metáfora do lado b refere-se ao ou- tro lado do cânone literário, ou seja, ao lado oculto que encontramos quando viramos o antigo disco de vinil. Oculto é o adjetivo mais acertado, pois quem realmente conhece o escritor de ficção científica Jorge Luis Borges ou o escri- tor de pulp fiction Guimarães Rosa? Entretanto, as músicas mais experimentais, logo as mais desconhecidas, se localizavam justamente no antigo lado b. Mas o que há de experimental nas literaturas de ficção científica, fantasia, horror, entre outras? Para Bernard Mouralis, em As contra-literaturas (1975), a simples presença destas literaturas constitui “[...] uma ameaça para o equilíbrio do campo literário, visto que assim revelam tudo o que nele há de arbitrário.” (MOURALIS, 1982, p. 12). Por que Borges e Rosa são autores canônicos, enquanto Stephen Meyer e Paulo Coelho são autores de best-sellers? Por que valorizamos a literariedade, ao invés do(s) público(s)? Aliás, o que atualmente é literariedade, visto que já se passou um século desde que os formalistas russos propuseram este conceito controverso?

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