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    Corpo Vivo -

    Adonias Filho

    Civilização Brasileira
    1971
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    113 avaliações
    Leram209Lendo24Querem183Relendo2Abandonos2Resenhas8
    Favoritos4Desejados183Avaliaram113

    Este Livro é parte da trilogia do cacau , conjunto de livros de origem existencial , são capazes de mexer com as vísceras do leitor, só leia se estiver preparado... algo vai mudar após a sua leitura , tenha certeza disto. Acompanhe a saga de Cajango buscando-se livrar da dor e do ódio na busca do amor.

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    Resenhas (8)Ver mais
    Carla Silva picture
    Carla Silva09/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Dia em que Adonias Filho me Deixou Maravilhada

    Este romance foi publicado em 1962, e segundo alguns encerra uma trilogia do autor sobre a região cacaueira na Bahia. Carlos Heitor Conny disse que "Corpo Vivo" mescla faroeste e tragédia grega. Concordo. A primeira cena na parte 1 do livro é puro western: a descrição da emboscada, a forma como os tiros das armas atingem as vítimas, o ritmo. É seco e é - sim - poético. As frases repletas de inversões o atestam, e a imagética da terra - agreste, inóspita, hostil, misteriosa, cheia de segredos e de armadilhas, terra que mata o homem e continua inatacável, fechada para ele; terra com a qual o homem pode, na melhor das hipóteses, transigir, aprender a contornar, obedecer sua rudeza, mas jamais domá-la - é impressionante. Para ler em voz alta, como poesia em prosa. E é romance de tragédia grega: o massacre e a criança sobrevivente, criada para vingar os mortos, menino que vira homem e fera porque seu ambiente e seus algozes são, também, feras, tem muito de tragédia. Falta falar do Naturalismo do autor, tão presente em obras anteriores ("Os Servos da Morte", de 1948), aqui também: o estilo de época passou, mas a escrita de Adonias Filho encorporou suas marcas, a descrição de fisionomias e de gestos, a visão de suas figuras, as palavras para nomeá-las. Linguagem naturalista que sobreviveu ao Naturalismo. Naturalismo ainda no determinismo, a ideia de destino traçado: há um fatalismo percorrendo o livro, visível na fala dos personagens. Beleza, ritmo, o que mais dizer? De mim, posso dizer que Adonias Filho é grandioso porque eu não gosto de sua visão de mundo, eu não gosto do assunto, não gosto da extrema violência, porém rendo-me à grandeza do autor. Talvez aí resida uma prova: se o leitor desgosta de tudo que apontei e ainda assim termina de ler o livro maravilhada, embasbacada, com um "Minha nossa..." escapando dos lábios, lendo e tornando a ler a passagem tal o maravilhamento - estamos diante de um grande escritor. Tão imenso que cativou uma leitora que desgosta de tudo o mais nele, mas queda-se emudecida, tentando escrever uma resenha que preste (não deu, mas tentei) e querendo ler mais, e mais, e mais dele... Há anos, falando sobre Adonias Filho num vídeo, eu disse que, malgrado minhas divergências ideológicas / de enredo com ele, eu jamais sentia, lendo o autor, que estava perdendo meu tempo. Nunca. Eu ainda não havia lido algo dele que alcançasse 5 estrelas, mas admirava-o fortemente. Adonias atingiu minhas expectativas, até as ultrapassou, com "Corpo Vivo". Magnífico. Soberbo. Sem palavras, que não dão conta. Chegou o momento: 5 estrelas. Viva o velho e querido Henry James, que dizia que na literatura, o que importa não é o assunto, mas o tratamento que o escritor dá ao assunto. Ele estava certo.

    31 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 113
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas4%
    Adonias Aguiar Filho profile picture

    Adonias Aguiar Filho

    Adonias Filho foi um jornalista, crítico literário, ensaísta e romancista brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras. Como escritor, buscou inspiração para as suas obras de ficção na zona cacaueira próxima a Ilhéus, interior da Bahia, local onde nasceu e passou sua infância. Esse ambiente é notado logo no seu romance de estréia, "Os servos da morte", publicado em 1946. No romance, aquela realidade serviu-lhe apenas para recriar um mundo carregado de simbolismo, nos episódios e nos personagens, encarnando um sentido trágico da vida e do mundo. A utilização de recursos altamente originais e requintados, adaptados à violência interior de seus personagens, faz de Adonias Filho um integrante do grupo de escritores que, a partir de 1945, a terceira fase do Modernismo, se inclinaram para um retorno a certas disciplinas formais, preocupados em realizar a sua obra, por um lado, mediante uma redução à pesquisa formal e de linguagem e, por outro, em ampliar sua significação do regional para o universal. Adonias Filho foi consagrado com o título de imortal pela Academia Brasileira de Letras, recebendo em 23/05/1969 a posse da cadeira 21 pelas mãos do acadêmico Jorge Amado.

    14 Livros
    20 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Adonias Aguiar Filho