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    Não verás país nenhum -

    Ignácio de Loyola Brandão

    Global
    2010
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788526012974
    Português Brasileiro
    4.1
    1921 avaliações
    Leram3077Lendo262Querem2972Relendo5Abandonos143Resenhas200
    Favoritos143Desejados2972Avaliaram1921

    Ficção que descreve como será a cidade de São Paulo no futuro. O autor conta a vida de Souza, um paulista que vive no meio do caos da cidade, destruída pelos avanços tecnológicos, onde não há água, verde, vida saudável e muito menos liberdade. Durante muitas décadas a poesia "A Pátria", de Olavo Bilac, foi lida, decorada e recitada pelas crianças brasileiras. Os versos iniciais diziam: "Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!/ Criança! Não verás nenhum país como este!" Não deixa de ser uma ironia cruel encontrar o verso bilaquiano adotado como título (e com seu significado virado pelo avesso) de um dos romances mais devastadores e pessimistas da literatura brasileira, o oposto do róseo otimismo do poeta das estrelas, <i>Não Verás País Nenhum</i>, de Ignácio de Loyola Brandão. Enquanto gerações de crianças brasileiras recitavam o poema de Bilac, o país (aliás, em sintonia com o mundo) ia acelerando, lentamente, o seu processo de autodestruição, com a devastação das florestas, o acúmulo de lixo, a degradação do meio ambiente, a que se juntou, nos últimos tempos, a destruição da camada de ozônio do planeta, projetando perspectivas sombrias para a humanidade. Romance apocalíptico, no sentido de contar uma história do fim dos tempos, <i>Não Verás País Nenhum</i> se desenrola em um futuro não determinado, mas cada vez mais presente na realidade do brasileiro. Uma época terrível, na qual a Amazônia se transformou em um deserto sem nenhuma árvore; onde "O lixo forma setenta e sete colinas que ondulam, habitadas, todas. E o sol, violento demais, corrói e apodrece a carne em poucas horas"; onde a carência de água impõe a reciclagem da urina, bebida pelas pessoas. A administração do país chegou ao caos. Governantes medíocres, cada vez mais afastados do povo, interessados apenas em vantagens pessoais, uma polícia corrupta e assustadora. No meio desse mundo sombrio, uma história de amor, na qual o autor sugere que nem tudo está perdido, pelo menos enquanto o bicho-homem alimentar esperanças e for capaz de gestos de generosidade.

    Edições (8)

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    Resenhas (200)Ver mais
    Thamyris Assunção  picture
    Thamyris Assunção 16/04/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Incrível!

    Livro excepcional. É espantosa a proximidade dessa leitura com a nossa realidade pandêmica e todo o cenário socioeconômico e político do Brasil desde 2018. A impressão que dá é que Ignácio de Loyola Brandão escreveu essa ficção mês passado já prevendo quais rumos o país pode tomar se seguir nas mesmas rotas (à extrema direita) atuais. Gostei demais de ter contato com uma distopia "à brasileira". Poder imaginar os cenários bem descritos, a angústia de viver em constante alerta, sujeito à fome, frio, violências e controles de toda ordem em lugares pútridos, insalubres, onde o componente humano já não existe tornou a leitura muito especial. Demorei a concluir porque precisava digerir cada página lida, cada detalhe mostrado. Trata-se de uma leitura assustadora em realismo, mas muito necessária para o nosso entendimento enquanto cidadãos que somos, responsáveis por nossas escolhas e interdependentes, socialmente falando. Nunca tinha lido nada do autor e, olha, que experiência excelente. Leiam pra ontem! Dou nota 10 com louvor!

    18 curtidas

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    4.1 / 1921
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
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    Ignácio de Loyola Brandão

    Desde pequeno, Loyola sonhava conquistar o mundo com sua literatura; se não, pelo menos voltar vitorioso para sua cidade natal. Sua carreira começou em 1965 com o lançamento de Depois do Sol, livro de contos no qual o autor já se mostrava um observador curioso da vida na cidade grande, bem como de seus personagens. Trabalhou como editor da Revista Planeta entre 1972 e 1976. Dono de um "realismo feroz", segundo Antonio Candido, seu romance Zero foi publicado inicialmente em tradução italiana. Quando saiu no Brasil, em 1975, foi proibido pela censura, que só o liberou em 1979. Em 2008, o romance O Menino que Vendia Palavras, publicado pela editora Objetiva, ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano.

    76 Livros
    160 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Ignácio de Loyola Brandão