A Revolta da Vacina - Mentes insanas em corpos rebeldes

    Nicolau Sevcenko

    Cosac Naify
    2010
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788575038680
    Português Brasileiro

    Um clássico desde sua primeira edição em 1984, em A Revolta da Vacina o renomado historiador Nicolau Sevcenko realizou um estudo pioneiro, reconstituindo os episódios que passaram para a história como a maior convulsão social da cidade do Rio de Janeiro, durante a campanha de vacinação contra a varíola (1904). O ponto de vista adotado pela análise é bastante claro: ver a modernidade pelo avesso. Assim, por trás da reforma urbana promovida então pelo prefeito Pereira Passos, é possível ver claramente o processo de especulação imobiliária e a profunda situação de exclusão social. A saúde pública caminha junto ao uso autoritário da ciência. E a nascente República, que em tese se opunha ao Império escravocrata, promove na verdade a “democratização da senzala”. A edição traz, ainda, posfácio inédito de Sevcenko, mapas, fotos de Augusto Malta e Marc Ferrez e charges de época.

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    Rafael05/03/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vacinados contra a opressão

    O livro retrata-se sobre a revolta popular ocorrida na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 10 e 16 de novembro de 1904. O principal motivo foi a campanha de vacinação obrigatória contra a varíola, realizada pelo governo brasileiro e organizada pelo médico Dr. Oswaldo Cruz. A grande maioria da população, formada por pessoas pobres e desinformadas, não conheciam o funcionamento de uma vacina e seus efeitos positivos, e se tinha uma grande desconfiança tanto quanto aos soros como aos médicos responsáveis pela aplicação da vacina. As pessoas se negavam a receber a visita dos agentes públicos que deviam aplicar a vacina, reagindo, muitas vezes, com violência, prédios públicos e lojas foram atacados e depredados, trilhos foram retirados e bondes (principal sistema de transporte da época) foram virados. Com a revolta tomando níveis preocupantes de revolta o governo federal suspendeu temporariamente a vacinação obrigatória, decretou estado de sítio na cidade (suspensão temporária de direitos e garantias constitucionais). Com força policial, a revolta foi controlada com várias pessoas presas e deportadas para o estado do Acre. Houve também cerca de 30 mortes e 100 feridos durante os conflitos entre populares e forças do governo. Em 16 de novembro de 1904, o presidente Rodrigues Alves revoga a lei da vacinação obrigatória, colocando nas ruas o exército, a marinha e a polícia para acabar com os tumultos. Em poucos dias a cidade voltava a calma e a ordem. Um fato interessante é a ligação da mudança no formato das cidades Rio de Janeiro e França, onde foram feitas mudanças radicais na formação das cidades, com os becos e vielas, deixando de ser a característica principal das cidades, passando a se ter ruas espaçosas e largas, facilitando a atuação policial e dificultando as barricadas.

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