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    O dia em que te esqueci -

    Margarida Rebelo Pinto

    Bertrand Brasil
    2012
    173 páginas
    5h 46m
    ISBN-13: 9788528616231
    Português Brasileiro
    3.6
    103 avaliações
    Leram163Lendo7Querem187Relendo1Abandonos9Resenhas16
    Favoritos7Desejados187Avaliaram103

    O dia em que te esqueci, segundo livro de Margarida Rebelo Pinto lançado pela Bertrand Brasil, apresenta uma carta de despedida dirigida a um grande amor. Uma das escritoras mais importantes de Portugal na atualidade, vendeu milhões de exemplares em toda Europa e conseguiu um enorme número de fãs por vários países. Uma história sobre os caminhos que as pessoas precisam percorrer para alcançar o verdadeiro amor, traduzida numa narrativa envolvente e sensível, que leva mais uma vez o leitor a uma viagem interior à descoberta dos seus próprios sonhos e medos.

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    Letícia  picture
    Letícia 30/05/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Bem-me-quer, mal me quer.

    "Se me oferecessem novamente o ano passado, E a escolha entre o bem e o mal me fosse apresentada,  Será que eu aceitaria o prazer com a dor Ou ousaria desejar jamais termos nos conhecido?" Lady Augusta Gregory, If the past year were offered me again. "Precisas tão desesperadamente de silêncio como eu de palavras." Este livro vale muito mais que cinco estrelas, vale uma constelação inteira. Extremamente profundo, sensível e poético. É como se fosse o próprio coração da autora pulsando nas minhas mãos, as palavras nas páginas são escritas com sangue e há lágrimas molhando e rasgando o papel, a última carta para um grande amor. Talvez eu esteja soando um pouco mórbida, peço perdão. Mas eu gosto assim, se é para sofrer, então sofre direito. "O dia em que te esqueci", da maravilhosa Margarida Rebelo Pinto, é uma bela carta de despedida dirigida a um amor impossível de esquecer. O título e o conteúdo do livro me fizeram refletir por horas a fio, seria o amor capaz de murchar e morrer como se fosse uma flor? É muito difícil para mim acreditar que até mesmo o amor é tão frágil e delicado assim, deveria ser feito de aço para resistir a qualquer dano e ter uma maior durabilidade.  Desse modo, se o amor fosse realmente uma flor, seria a tulipa vermelha, que significa amor eterno, ou a margarida branca, que simboliza o amor puro e a sensibilidade? Como você acabou de ler, o nome da autora é Margarida, achei essa coincidência bem poética, pois a flor descreve muito bem a sua personalidade. O triste é que a escritora, assim como a flor, também foi vítima de um apaixonado inseguro e medroso. Afinal, que atire a primeira margarida quem nunca brincou de retirar as suas pétalas para descobrir se havia reciprocidade dos sentimentos da pessoa amada. Porém, e se eu te dissesse que foi a própria Margarida que retirou as suas pétalas e a deixou nua e vulnerável? O antigo amor dela abandonou a brincadeira com medo do resultado e ela quis terminar o que ambos começaram. Às vezes é crucial retirar todas as nossas pétalas e recomeçar. O que sei sobre o amor aos 21 anos? Nada, e nem sei explicar bem, mas acredito que cada pessoa enxerga o amor de um jeito diferente. Como diz um poeta da geração Beat, Allen Ginsberg, "Eu não acho que haja alguma verdade, existem apenas pontos de vista". E, como escreveu minha amada Margarida, "Já o escrevi tantas vezes, mas penso que nunca é demais repeti-lo, o amor não existe, existem provas de amor." "Amar alguém é querer o melhor para essa pessoa. Amar é sonhar, é proteger, é dar a mão quando é preciso e soltá-la quando assim tem de ser. Por mais que nos custe. É assim que devemos amar os nossos filhos, foi assim que aprendi a amar os homens." "Os amores são para ser vividos, sonhá-los não basta. São para se consumir, até que morram, talvez, mas sem medo, com ganas, com desejo, com vontade, como se não houvesse amanhã, porque, em abono da verdade, ninguém pode saber se amanhã, precisamente à hora em que escrevo estas palavras, ainda cá estaremos, eu, tu, qualquer uma das pessoas que amamos." Guardo meus ex-amores com carinho em uma caixinha muito preciosa chamada memória, doces lembranças que aquecem meu coração e me fazem acreditar que o amor realmente não perece. É importante ressaltar que o amor não é o mesmo que paixão, é muito comum as pessoas confundirem os dois. No entanto, eu me sinto bem ao visitar o passado agora, não sinto nenhum mal-estar e nem nada. Nas minhas lembranças amorosas, dois rapazes fazem morada, eles eram meus melhores amigos. Hoje, apenas lamento a amizade perdida, acho que tenho sorte em afirmar que meus relacionamentos anteriores foram tranquilos, mas os términos nem tanto. Terminar um relacionamento é uma ruptura tão abrupta que, além da dor emocional, causa dor física. O coração precisa de um tempo para conseguir se recuperar da pancada, é um processo lento, confuso e doloroso. Além disso, o peso da saudade é tão esmagador que muitas vezes não resistimos à lembrança de um doce vinho e sofremos a famosa recaída.  "Há lugares aonde nunca mais quero voltar, e esse é um deles: noites a fio sozinha em casa a fumar charros e a ver filmes, roída de saudades dos momentos que passamos juntos, a minha pele ainda de ressaca da tua, o teu silêncio a atravessar-me os dias como uma lança que nunca mais acabava, e eu desligada do mundo e de quase todas as suas alegrias porque me entregara a um amor irrealizável e absurdo que só servia para me alimentar a veia literária." A Margarida é muito parecida comigo, amei me identificar com ela, é bom saber que não sou a única a ser assim e que não é errado ser tão intensa. Nós duas temos a mesma forma de se expressar, não conseguimos guardar os nossos pensamentos e sentimentos por muito tempo, a água acaba transbordando e afoga quem estiver por perto. É como se fosse um tsunami inesperado e assustador. Veja bem, se eu encher uma xícara pequena com chá, você desejaria que o chá transbordasse ou se contentaria com poucos goles? Prefiro sempre a primeira opção. “O dia em que te esqueci” ou “A última carta” é um convite para mergulharmos dentro do nosso coração, com o aviso de que poderemos se afogar se não tomarmos cuidado. E descobriremos que, às vezes, é necessário se afogar e manter-se embaixo da água por um longo tempo até se sentir preparado para finalmente voltar à superfície. É perceber que há amores que machucam e, se doí, será que vale a pena investir neles? Sim, meu bem, é muito doloroso ter que aceitar que alguém que você ama não é a pessoa certa, que essa pessoa te faz mais mal do que bem e, sendo assim, o melhor é dizer adeus. Todos sabemos que não é um processo fácil, todo término é difícil, mas esse livro talvez possa te ajudar a encontrar chaves que abrirão portas para novos caminhos. Em suma, "A última carta" é uma leitura um pouco amarga, doce como chocolate meio amargo, mas necessária, que te fará ponderar sobre as complexidades da paixão e do amor. A autora também explora outros temas importantes, como família, autoconhecimento, amor-próprio, felicidade e solidão. Decidir escrever para alguém ou para si mesma não é um gesto pequeno, muito pelo contrário, significa muito. Assim como outros leitores que leram, eu também me perguntei se a autora de fato superou ou se ainda tem esperanças de viver esse amor. Será que esse livro seria a sua última tentativa de fazê-lo entender que é preciso lutar por quem se ama ou um desabafo de partir o coração? Amei ainda mais pelo ponto de interrogação no final, acho que esse é o livro que mais me fez refletir na vida, confesso que me deu até dor de cabeça, além de deixar meu coração dolorido. Contudo, eu amei tanto que nem consigo descrever o meu amor e carinho, estou sem palavras. Simplesmente leiam, simplesmente se apaixonem, simplesmente amem. E não esqueçam de sentir, por mais doloroso que seja. É sentindo que se supera, não há outra alternativa, a dor não gosta de ser ignorada, acredite.  "Deves perguntar-te por que te escrevo esta carta; nem eu própria sei. Tenho a certeza de que não te devo nada e que escrevo para mim própria, consciente de que, ao pensar em ti, estou ainda a dar-te espaço e tempo que o mundo inteiro pensa que não mereces. Mesmo assim, navegando contra a corrente do que seria sensato e razoável, prefiro limpar o meu coração. (...) Prefiro limpar o meu músculo central com as palavras, que constituem uma arma quase perfeita para arrumar os sentimentos."

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    Margarida Rebelo Pinto

    Nascida em Lisboa em 1965, Margarida Rebelo Pinto revelou desde cedo uma enorme paixão pela escrita. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Clássica e após uma breve passagem como copywriter, pelo mundo da publicidade, aos 22 anos, iniciou a sua actividade jornalística passando por publicações como “O Independente”, “Sete”, “Marie Claire” e “Diário de Notícias”. Foi repórter do Canal 1 da R.T.P., retomou a crónica “O Meu Pequeno Mundo”, em 1999, na revista Olá do jornal Semanário e tornou-se cronista regular da Elle, colaborando também com outras publicações. O primeiro romance de Margarida Rebelo Pinto, "Sei Lá", não foi propriamente o seu baptismo na escrita. A autora juntou aos ingredientes de saber estar nos sítios certos, à hora certa e com os amigos necessários, uma história que concretizou na sua cabeça, dando-lhe então em Março de 1999 a forma em livro. Nesse mesmo ano, foi vencedora do prémio literário Fnac 1999, tendo a obra já superado os 130 mil exemplares vendidos. Actualmente, para além do já referido best-seller, a escritora tem mais dez livros editados: "Herman SuperStar", a biografia do conhecido humorista português; "Não há Coincidências", outro best-seller, editado em Abril do ano 2000 – 33ª edição com mais de 140.000 exemplares vendidos -, "As Crónicas da Margarida", igualmente sucesso de vendas e resultante de uma compilação das crónicas escritas para a revista Olá; "Alma de Pássaro", romance que encerra a trilogia dos anteriores, editado em Fevereiro de 2002, revelando-se mais um verdadeiro best-seller; publicado em Outubro de 2002, "Artista de Circo", o segundo livro de crónicas e mini-ficções; "I'm In Love With a PopStar", um romance sobre a vida atribulada de uma adolescente, "Nazarenas e Matrioskas", uma compilação de textos publicados na imprensa; "Pessoas como Nós", um romance que mais uma vez aborda os problemas da condição humana; "Diário da Tua Ausência", uma sentida carta de amor e, por fim, "Vou contar-te um segredo", uma colecção de textos inéditos. Enquanto no seu primeiro livro abordava ainda a escrita de uma forma ingénua, no seu terceiro romance, “Alma de Pássaro”, a autora abordou a escrita de uma forma que a colocou como a mais conhecida percursora da nova literatura urbana. Desse modo, entrou para a agência literária Carmen Balcells, representante de autores consagrados como Gabriel Garcia Marquez, Jorge Amado, Isabel Allende, entre outros. Paralelamente à escrita, Margarida dedicou-se também ao guionismo, sendo ela a autora do telefilme da SIC "Um passeio no parque". Neste momento já está a rever o guião do seu próximo filme, sendo este a adaptação do livro “Sei Lá” para o cinema. A escritora tem sempre mais ideias e projectos do que tempo para os realizar, é mãe, nada três quilómetros por semana e escreve em qualquer lado, desde que leve um caderno de capa preta.

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    Margarida Rebelo Pinto