Crescer é doloroso. A protagonista do livro, Hell, descreve isso a flor da pele.
O livro, inteiramente em primeira pessoa, chama muito a atenção no primeiro capítulo porque usa uma fórmula já conhecida: a conversa agressiva com o leitor. Mas isso é mais que uma jogada da escritora, é a forma que ela usou para que em nenhum momento o leitor sinta pena dela.
A história vazia e depressiva de Hell é calcada no niilismo, onde nada nem ninguém importa. Uma releitura de A Idade da Razão, de Jean Paul Sartre, que também chega a ser citado aqui.
O livro não tem trama propriamente dita, é apenas a recontagem de um momento traumático na vida de Lolita Pille, a Hell. É preciso uma leitura cuidadosa, pois as divagações desconexas e alusões a lugares típicos de Paris podem desequilibrar o leitor mais desavisado.
Infelizmente, seu maior trunfo também é seu maior problema - a leitura pesada, ainda que fútil, provavelmente vai desagradar qualquer um que esteja passando por essa fase.
Não compre esse livro achando que é uma versão francesa de Gossip Girl, mas também não vá com muita sede ao pote, achando que é a renovação de O Apanhador no Campo de Centeio. Hell merece seu próprio lugar de angústia existencialista da juventude.