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    Barbáriderna -

    Bruno Bossolan

    Penalux
    2012
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-13: 9788565744041
    Português Brasileiro
    4.5
    4 avaliações
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    Prefaciar um livro de poesias é como trair com cada letra uma palavra, agir deslealmente com intensidade em sentimento. É desmistificar rimas no passo a passo dos furacões. Certa vez, há muito tempo, se quer me lembro quando, eu disse que poesias deveriam viver sob asas de passarinhos, para poderem voar livres, cagar na cabeça de quem fosse com total desrespeito e estarem sempre protegidas e aladas. E quando digo que se quer me lembro quando, estou mentindo, me uso de mentira falsificada, trajada de lembranças atemporais, e vos digo, falar em tempo quando se trata de poesia é mentir novamente. Sartre certa vez nos disse que “o inferno são os outros”, aqui eu peço licença para dizer que o inferno deve sempre ser a palavra do poeta. O poeta que brinca de nos enganar a todo instante, o poeta carregado da intensidade da alma vagante, perdida e achada a cada olhar capaz de reconhecer o próximo. Paciente pela próxima rima, pelo próximo grito, pelo declive. O poeta que se recusa a curar seu próprio mal. O poeta contestador, dolorido em feridas hesitantes em fechar, amante eterno de todas as dores, o poeta que afaga o corte lacrimejante e torna a cura uma farsa, o poeta dos mundos inexistentes presentes na mente de todos. Vagante em labirinto de ilusões onde a realidade se torna apenas um detalhe dos espíritos fracos. Nos trás a esperança equilibrista dos aflitos que nada mais são que a projeção mais exata do pensamento prostituto, perturbadores da escola dos que sofrem e dos aflitos incessantes da alegria cheia das lágrimas de Baco. Aproveito esse espaço para falar também de memórias e forças. O mundo perdido nos entraves da vida, no cotidiano aflorado de canções caladas e silenciosas certas vezes nos presenteia, facilmente eu falaria que com poemas, mas pretendo fugir de tamanha obviedade ao tratar da vida, caminhos tortuosos. “Estilhaços das costelas”. “Arrancada desenfreada”. É o “corvo audacioso guloso indeciso não sabe quem petiscar primeiro”. É Poder “sentir apenas com os olhos”. “Uma ponte de safena em cada rompimento para aguentar o fardo”... E assim em íris de fogo não achamos o olhar acolhedor, mas o inimigo cheio de tamanha graça que nos faz crescer em terra árida, onde as raízes distorcidas pelos pensamentos torturantes nos sufoca a cada segundo, fazendo-nos renascer em páginas rasuradas com grifos de sabedoria. Caminhando desde tempos imemoriais, passando pela antiguidade clássica com seus mitos, deuses, heróis e toda moral da história, chegando ao renascimento com sua estética perfeita que se volta a valores da antiguidade clássica, norteando as mudanças desse período em direção a um ideal humanista e naturalista. Estética que abandona o – teo – e se direciona a descoberta do mundo e do homem. Advindo posteriormente o tempo dos trovadores desdobrando em humanismo, classicismo, quinhentismo, arte barroca, arcadismo, romantismo, realismo, parnasianismo, naturalismo, simbolismo, pré-modernismo, e enfim, chegando ao modernismo já superado pelo pós-modernismo ou para aqueles que preferirem a modernidade tardia ou hipermodernidade. E é aqui que gostaria de dar determinada ênfase ao - antropo -. O homem, desde qualquer tempo carrega consigo a súplica da felicidade e da superação. Trás geneticamente intrínseco ao seu ser o querer mais, sempre mais. Nestes tempos tão erroneamente nomeados de modernidade onde eu, em nome de tamanha insignificância nomearia de “Barbáriderna”, me questiono a todo instante as rotas da juventude cheia de efusiva felicidade redundantemente momentânea em prazeres inexistentes onde a instantaneidade predomina em nome da busca por aquilo que, citado acima, quer ser encontrado na contramão da Verdade. Não tencionava aqui desvendar as entrelinhas das páginas a seguir, delineando um caminho racional para aquilo que apenas os sentidos podem apreciar com total satisfação. Não me proponho a adquirir tamanha prepotência, digna de poucos, de chegar ao limite da ousadia. Ainda me proponho a sambar na rua do que nas estrelas cadentes em esgotos de rimas. Prefaciar um livro é também mostrar um pouco sobre a vida do autor, e nesse ponto me desculpem, não me arriscaria a tanto, acredito que as linhas que seguem delinearão um perfil mais completo que qualquer palavra que eu possa usar, atenham-se “Aos meus 22 invernos”. Tratando de considerações finais peço a cada um que busque suas dores mais latentemente ocultas e que as transforme em feridas abertas, e novamente vos digo, que cada gota do sangue carregado de excrementos possa se transformar em aprendizado.

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