Este livro apresenta a história do Cebrap ( Centro brasileiro de análise e planejamento), desde a fundação até sua decadência. Descreve como os intelectuais exerciam suas funções durante a ditadura militar, como funcionava o estudo acadêmico durante a época, explica as dinâmicas de hierarquia da USP, e como elas tiveram impacto na história do centro, e as dificuldades da instituição, que foi fundamental para assegurar o desenvolvimento de novos pensadores e pensamentos durante um dos períodos de maior repressão enfrentada no Brasil.
O Cebrap foi criado logo após o sancionamento do AI-5, durante a crise institucional que expulsou os intelectuais brasileiros de seus postos e que impactou toda a produção intelectual no país por mais de três décadas. O Centro funcionava como uma ferramenta de resistência à repressão e às ameaças que os pensadores enfrentavam, além de ser referência, a instituição auxiliou acadêmicos, por meio de bolsas de estágio, oferecendo a oportunidade de trabalhar com as principais referências do estudo acadêmico no Brasil.
O ápice da obra foi a análise do governo de Fernando Henrique Cardoso, principal articulador político e financeiro do centro, e como a comunidade intelectual brasileira reagiu à sua campanha e mandato, além de expor como sua visão política mudou do tempo do semanário de Marx até sua entrada na política.
Minha crítica a obra está na escolha do seu título: "A construção intelectual no Brasil contemporâneo", que promete uma análise nacional, mas que acaba se detendo apenas a visão paulista uspiniado dos acontecimentos, e que no máximo tece críticas a instituições cariocas. O autor foca e acaba repetindo, de forma desnecessária, certos detalhes, que nem sempre são tão relevantes para o entendimento da história, tornando o livro maçante, e acaba por não explorar outros fatos que seriam interessantes para enriquecer a história.