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    O TAMANHO DA FELICIDADE -

    Haroldo Gumes

    CANAPE
    2012
    169 páginas
    5h 38m
    ISBN-13: 9788564880276
    Português Brasileiro
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    O TAMANHO DA FELICIDADE JUSTIFICATIVA Diplomei-me professor pela Escola Normal de Caetité, Bahia, no ano de mil novecentos e sessenta. Embora de condições financeiras bem tímidas, o meu pai recebeu de meu avô, João Gumes, um legado de importância cultural que considero histórica: uma pequena gráfica ao modelo da época, onde se editava “A PENNA”, um jornal de circulação regional, veículo de notícias sociais, econômicas e políticas. Destacavam-se, também, notícias agropecuárias, fator principal da economia local. A sobrevivência do jornal se dava pelo patrocínio do pequeno comércio local e venda de exemplares. Foi nesta mesma gráfica que João Gumes editou dois livros de sua autoria: OS “ANALPHABETOS” e “O SAMPAULEIRO”. Já dominava, na época, a preocupação dos mais letrados, pela emigração da população jovem para São Paulo, em busca de trabalho. O estado da Bahia, situado ao leste brasileiro, mas que dizem ser nordeste, sempre foi vítima da escassez de precipitações pluviométricas. Chuvas regulares só de oito em oito anos, vitimando a população campestre, que planta insistentemente e pouco colhe. Convivendo naquela época na gráfica que meu pai herdou, editei um pequeno jornal ‘”O DEVER”, junto com um irmão meu de nome Maurício. Assim que me formei viajei para o Rio de Janeiro e São Paulo, em busca de trabalho. Em São Paulo ingressei como auxiliar de escritório numa loja grande que ficava à Rua 24 de Maio: A MESBLA. Muitas transações financeiras se faziam de forma bem diferente de como se faz hoje. Os meus chefes entregavam-me quantidades consideráveis de dinheiro para fazer pagamentos e autorizavam-me a fazer recebimentos em empresas da cidade. Eu, um garoto de dezoito anos, fazia esse trabalho pelas ruas de São Paulo tranquilamente, sem qualquer preocupação ou dificuldade. Ao retornar para casa, à noitinha, parava no Ginásio do Belém, onde ministrava aulas de Português. Com um salário que não me empolgava e sem qualquer perspectiva de crescimento, senti saudades de minha família e voltei para Caetité. Sem qualquer demora fui convidado para ensinar a nossa Língua Portuguesa no Ginásio Estadual de Macaúbas, recém-criado, na cidade do mesmo nome. O curso fundamental, que se chamava primário, tinha duração de cinco anos, depois do que os alunos haviam de submeter-se a provas escritas e orais realizadas por bancas examinadoras, (exames de admissão) para ingresso no curso seguinte de quatro anos que se chamava ginasial. Concluído esse curso os alunos ingressavam no curso de magistério, que durava três anos. A avaliação da aprendizagem dos alunos era feita pela média de duas notas mensais, durante os sete meses letivos do ano, após o que se sucediam as provas finais. Lembro-me bem de que faziam parte do currículo Educação Moral e Cívica e Educação Física, sem nos esquecermos do Latim. Entoava-se o Hino Nacional Brasileiro com muito respeito e veneração. Os alunos levantavam-se à chegada e saída do professor, que era um líder de verdade na comunidade escolar. Os pais tinham plena confiança nas escolas para educação de seus filhos porque, salvo raríssimas exceções, aquele era um ambiente de aprendizagem. Os professores assumiam o compromisso de ensinar e os alunos tinham o dever de aprender. O professor havia de alinhar-se com sua capacitação de ensino para a área a seu cargo, para o que o Ministério da Educação e Cultura envidava esforços e assumia os custos. Foi para isso que eu, quando iniciei como professor de Português, recebi uma autorização precária, válida por dois anos, até que eu me habilitasse. Convidado a submeter-me a um curso no Instituto de Educação Isaias Alves, em Salvador, com a mesma duração da autorização que eu tinha, encantei-me. O MEC contratou professores de renome de várias partes do Brasil para executarem esse trabalho. Não só para Português como para todas as outras disciplinas. Para a minha turma veio o Prof. Cícero Pessoa, de São Paulo. O curso era intensivo. Ao final dos dois anos constituía-se uma comissão de professores para proceder ao que eles chamavam de “aconselhamento”. Só se submetia às provas finais aquele aluno-mestre que fosse aconselhado a tanto. O professor elegia-se verdadeiro líder porque sabia bem a matéria a seu cargo. E a escola era objeto de desejo porque os alunos nutriam admiração pelo professor que inspirava plena confiança. Conheço um pensamento universalizado que diz ser “o homem um produto do meio”. Nossos sentidos são responsáveis por este conceito, pois eles é que são os veículos de todas e quaisquer informações sociais e físicas do ambiente de convívio à nossa memória, que tudo grava. À parte disso observam-se pessoas que, imagino, já nascem sabendo algumas coisas. Assuntos que elas desenvolvem e que ninguém ensinou. Assuntos que nunca viram nem ouviram: criaram. Vemos o caso recente de Steve Jobs. Nunca viu, nunca lhe falaram, nunca estudou, mas soube criar e desenvolver a informática. Bem assim outros. Para essas pessoas não se consegue, nem nas religiões, alguma explicação convincente. Dentro da normalidade nós somos o resultado de tudo que vemos, ouvimos, sentimos. Nossa memória é como um papel em branco onde se gravam as informações que os sentidos levam a ela, sejam socialmente convenientes ou não. A nossa inteligência cognitiva é que se encarrega de processar o que lhe seja mais agradável, que emocione mais ou interesse mais. Observados esses princípios de formação comportamental, de caráter e conhecimento, impõe-se saber a qualidade das informações sociais e físicas do ambiente que sejam disponibilizadas a quem esteja em foco. Do que a nossa mente grava ela processa e ativa o que lhe agrada mais, emociona mais ou interessa mais, seja isso socialmente conveniente ou não. Aquilo que a nossa mente processa e ativa torna-se ferramenta de conduta, independentemente de controle. Daí a necessidade de que sejam disponibilizadas informações socialmente convenientes, coisa que não vem acontecendo ultimamente. Os assuntos que a mídia disponibiliza são, frequentemente, a vitória pela violência, drogas, sexo amoral. A educação no Brasil vem sendo avaliada como de má qualidade porque os responsáveis por ela não têm envidado esforços no sentido de melhorar a qualificação do professor. Muitos alunos do professor não bem preparado, vão se profissionalizar na carreira de magistério e serão professores também. Assim é que está acontecendo o percurso descendente da qualidade da educação brasileira e, consequentemente, de seu povo. O professor vai à escola por uma necessidade profissional e não inspira qualquer admiração nem confiança por parte do aluno. O aluno vai à escola por dever e sempre se decepciona por não encontrar nela aquilo de que precisa, frustrando seus desejos. Jovens e irrequietos, alunos fazem acontecer conflitos entre alunos e entre alunos e professor. O que acontece com um serve de exemplo para outro e, por isso, às vezes instala-se a violência na comunidade escolar. O país precisa avançar em seu crescimento tecnológico, social e econômico, mas não consegue porque as escolas não oferecem profissionais qualificados. Os transtornos resultantes da má qualidade da educação produzem governos que são o reflexo da má qualidade do povo. Reina a desonestidade, a carência de cidadania, a violência e a impunidade. Pelo conhecimento que tenho de que o exemplo é um dos fatores importantes para que se pratique a educação, e baseado na comparação da qualidade de vida que conheci antes com a qualidade de vida com o que convivo hoje, elaborei um romance de ficção – O TAMANHO DA FELICIDADE - que retrata o sucesso com prazer, amizade e solidariedade, através da luta com dignidade, respeitados os mais fundamentais princípios de cidadania. Haroldo Gumes

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    Haroldo Luiz Cardoso Gumes

    Filho de Sadi Gumes e Maria Cardoso Gumes é licenciado em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira.

    2 Livros
    1 Seguidor
    Bahia, Brasil

    Haroldo Luiz Cardoso Gumes