Neste livro encontramos contos e posias sobre os mais diversos temas do cotidiano.
Durante a leitura, eu pecebi algumas semelhanças com Luis Fernando Verríssimo, pois o autor tem aquela "sacada" sobre um determinado assunto, que até então tinha passado despercebido, e no final do conto ficamos pensando: "Não é que ele tem razão?"
Vou dar um exemplo...
No conto "Democracia 3.0", o autor sugere que com o avanço da internet nós poderíamos digitalizar o poder. Como? Simples. Ao invés do Legislativo aprovar as leis do país, por que não conectar todo o sistema e dar o poder ao povo?
Imaginem...depois de vermos o Jornal Nacional, entraríamos na internet, colocaríamos o login e senha e votaríamos on line em todos os projetos pendentes de aprovação, que o Senado faz questão de demorar anos para votar.
Vocês já tinham pensando nisso? Eu não.
Ou quando ele questiona o jornalismo, que esta a cada dia mais sensacionalista, e que diariamente entrega apenas notícias de mortes, desastres, roubos e o que mais possamos imaginar de trágico, beirando o inferno. Como ele mesmo parafraseia Nelson Rodrigues: "A vida como ela é"
O autor sugere que ao invés do tradicional "Boa noite", os apresentadores deveriam desejar "Uma terrível noite. Preparem-se, tirem as crianças da sala que vamos começar." As notícias boas poderiam ficar a cargo da menina do tempo...afinal, seriam poucas.
Mas nem tudo são flores...
Eu não gosto de poesia, portanto não vou entrar no mérito sobre as poesias presentes no livro, pois não tenho know how suficiente para isso. Mas o fato de ter poesia junto com contos me incomodou um pouco, pois o público que gosta de poesia é um; o público que gosta de contos é outro completamente diferente.
Acho que o livro ficaria melhor tendo apenas contos, pois você esta no ritmo de histórias curtas sobre o cotidiano, e de repente esse ritmo é quebrado para uma leitura mais cadenciada e lúdica, que é típica da poesia.
Como disse anteriormente, vi semelhanças na escrita dele com a de Verríssimo, mas é claro que, como é o primeiro livro do autor, devemos guardar as devidas proporções. Afinal, Verríssimo tem anos de estrada..., mas não é nada que a prática não resolva.