Pedro Pomar não era apenas um comunista revolucionário profissional, no sentido de que sua sobrevivência dependia do trabalho partidário e dos recursos pecuniários daí advindos, mas um ser humano que se dedicava completa totalmente a perspectiva e à ação de transformar a sociedade e mudar as condições de trabalho e de vida das classes que considerava exploradas e oprimidas pela burguesia e por outras classes dominantes. Nele, a vida familiar e vida pessoal eram irremediavelmente subordinadas àquele profissionalismo especial, lampejos que emergiam de sua vida comunista, mas que também estavam iluminados por ela. Em Pomar não é possível distinguir um "lado político" e um "lado humano". Seu ser político era impregnado de humanismo: talvez por isso fosse tão apegado às obras de Goethe, Shakespeare e Marx, aos quais nada do que é humano e indiferente. E o ser humano de Pomar era um ser político, no qual chocavam-se, harmonizavam-se, dissolviam-se e amalgamavam-se as qualidades e defeitos de sua época, de seu povo e dos partidos em que militou por décadas - o PCB e o PcdoB. Neste livro, Wladimir Pomar retrata, de forma por vezes supreendente, a vida do dirigente comunista nascido em Óbidos, no Pará, em 1913, e assassinado pelos órgãos de repressão do Exército em 1976, numa casa do bairro da Lapa, em São Paulo.
