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Sou muito fã de livros de ficção científica, muito mesmo, e é aí que Partials me conquistou, e logo pela sinopse. Para quem é meio nerd, assim como eu, deve ter percebido a incrível semelhança com o seriado distópico Battlestar Galactica. Muitos encarariam esse fato como clichê ou sem criatividade, mas eu? Fiquei muito animado!
A princípio, o livro envolveria vários aspectos que considero interessantíssimos em histórias de ficção científica: 1) Distopia futurística; 2) Guerra de humanos com “ciborgs”; 3) Vírus dizimando a humanidade e, por fim; 4) Uma médica como protagonista, tentando descobrir a cura para este vírus. Embora todos estes assuntos já tenham sido extremamente garimpados pelos meios de entretenimento, fiquei muito excitado com a possibilidade de ver todos eles juntos no mesmo livro.
Já deu pra perceber que comecei a ler Partials como se não houvesse amanhã. Logo fui apresentado à Kira, protagonista médica, e seus companheiros vivendo em um mundo futurístico caótico, na qual até mesmo a locomoção era feita a partir de cavalos e carroças, pois não existiam fontes de energia suficientes para promover o conforto da humanidade. Aliás, a única tecnologia acessível ficava restrita ao hospital da ilha onde os humanos vivem, na tentativa de encontrarem um recém nascido que sobreviva mais de 4 dias à ação do vírus RM, coisa que não acontecia desde a guerra com os Partials, há 11 anos. Os Partials, por sua vez, sumiram sem mais nem menos no continente, e não davam as caras desde o Break, como é chamada a tal guerra com os humanos (Battlestar, Cylons, oi?).
A questão é que eu estava muito empolgado com a história, mas o começo do livro não fez nada para que essa empolgação continuasse. Sabe quando você começa a ler um livro e alguém te pergunta “E aí, como que tá a leitura, boa?”, aí você fala “Nhééé…”, hahaha. Pois é, comigo estava assim.
Confesso que até estava entretido e o enredo estava ficando legal, mas ainda não estava aqueeela Brastemp. Mas continuei lendo, continuei lendo sem pretensão e, mesmo com alguns probleminhas de verossimilhança, quando fui ver estava totalmente envolvido com a história. Livrinho safado esse hein? Haha! Isso tudo até quando cheguei no plot do meio/final, em que aconteceram alguns fatos inesperados com a protagonista e eu pensei “Nuss, agora o baguio vai ficar louco!”. A partir da metade do livro a leitura se tornou tão fluida que praticamente não senti as 400 e tantas páginas de Partials, deu até um gostinho de “mas já?” na página 438.
Se alguém estava se perguntando o por quê de o livro também ser classificado como Young Adult aí vai: sim, há um triângulo amoroso. Ele não é dos menos clichês, mas também não é totalmente sem sal. A própria questão da sexualidade é tratada de dois modos muito diferentes em Partials. Enquanto há toda uma questão de protesto em relação à Lei da Esperança, que obriga todas as mulheres a terem filhos aos 18 anos na tentativa de encontrar uma criança imune a vírus RM, a sexualidade da protagonista é infantilmente explorada (ela tem 16, é virgem, linda e não gosta que toquem no assunto, õo).
Seu único pecado foi em relação à revisão levemente precária do livro, principalmente com uso, digamos, diferente de travessões (algumas vezes não sabia se o que eu lia era o pensamento do personagem, fala ou a própria narrativa em 3ª pessoa). Mas nada que deprecie o entretenimento da obra.
Enfim, no começo do livro eu achei que ele não fosse me prender por muito tempo. Mas o desenrolar do enredo me fascinou completamente, deu início a uma trilogia que promete um desfecho emocionante, e acabou que não vejo a hora de ler sua sequência, chamada Fragments. Se você curte ficção científica, YA, tem imaginação fértil e está procurando por um ótimo passatempo, Partials é um prato cheio, :)!