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    Granta em português #10 - Medidas extremas

    Beatriz Bracher, Evelio Rosero, Andréa del Fuego

    Alfaguara
    2012
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788579621819
    Português Brasileiro
    3.7
    11 avaliações
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    O décimo volume de Granta em português traz 14 textos inéditos no Brasil que remetem a situações-limite. Mesclando nomes nacionais e internacionais já consagrados e outros promissores, a edição reúne contos, ensaios, relatos e cartas que abordam o extremo da loucura, da doença e do sexo, ou ainda que narram momentos, sem precedentes, de crise. São histórias sobre envolvimento com drogas, mazelas de guerras, perda da memória e, em caso extremo, a própria morte. Will Self abre a edição de Granta: medidas extremas com um relato de cunho autobiográfico sobre uma crise aguda em sua vida. De língua inglesa, está também presente uma heterogênea seleção de escritores norte-americanos, entre eles Stephen King, Don DeLillo, A. M. Homes e Phil Klay, além da inglesa Jeanette Winterson e da canadense Alice Munro. O volume inclui um ensaio de Roberto Bolaño e um conto de Evelio Rosero, considerado um dos grandes escritores colombianos da geração pós-García Marquez. Há ainda uma compilação de cartas de António Lobo Antunes destinadas a sua mulher, então grávida, durante a guerra em Angola. De autores brasileiros, há textos de Beatriz Bracher, Andréa del Fuego, Adriana Lisboa e Everardo Norões. A revista dispõe ainda do ensaio em cores com 13 fotos das esculturas do artista plástico mineiro Matheus Rocha Pitta, que prepara atualmente uma exposição para a Fondazione Volume!, em Roma. Já publicdo na edição inglesa de Granta sobre terror, Will Self, um dos finalistas do Booker Prize, escreve o relato “Sangue falso” em primeira pessoa. Nele, o escritor detalha o diagnóstico de Policitemia vera recebido durante a virada de 2010 para 2011. A estranha enfermidade gera o súbito aumento de glóbulos vermelhos no sangue, tornando-o mais grosso. Com franqueza desconcertante, o autor de Grandes símios rememora o abuso de drogas durante sua juventude, sem, no entanto, buscar justificativas para seus atos nem expiar qualquer culpa do passado. Bem antes de tornar-se um dos mais célebres escritores de língua portuguesa, António Lobo Antunes participou do conflito colonial de Angola como médico do exército português entre 1970 e 1973. Durante o período, ele trocou uma série de cartas com sua então mulher, dentre as quais 12 foram selecionadas para essa edição. A correspondência flagra o autor em momentos de intimidade, discorrendo sobre o amor, a medicina, a literatura e a guerra. As mensagens fazem parte do livro D’este viver aqui neste papel descripto, organizado por suas filhas e publicado em Portugal em 2005. Cultuado como o maior expoente da literatura latino-americana contemporânea, Roberto Bolaño tem o ensaio “Literatura + doença = doença”, extraído do livro El gaucho insufrible, publicado nessa edição. Em tom áspero, o chileno fala sobre o ato de escrever, a doença e a morte: “Escrever sobre a doença, principalmente se você estiver gravemente doente, pode ser um suplício. Escrever sobre a doença se você, além de estar gravemente doente, é hipocondríaco, é um ato de masoquismo ou de desespero. Mas também pode ser um ato libertador. Exercer, durante alguns minutos, a tirania da doença (...) é uma tentação, uma tentação diabólica, mas ainda uma tentação.” Entre os brasileiros, a escritora Beatriz Bracher escreve um conto mimetizando um diário de uma mulher que viaja em busca de seu irmão a uma região de garimpo no Pará. Adriana Lisboa, que lançará romance pela Alfaguara em 2013, transita em “Aquele ano em Rishikesh” pela fronteira entre ilusão e realidade ao abordar o Alzheimer de uma idosa em meio a pensamentos confusos e desconexos com algum fundo de verdade. Em “Sofia, o motorista e o cobrador”, Andréa del Fuego dá vida a um cobrador de ônibus quarentão e sem olfato que cria uma obsessão por Sofia, uma das passageiras. Fechando o time de escritores nacionais, o poeta cearense Everardo Norões, já traduzido para diversos idiomas, tem o conto “Na varanda, sobre o bulevar”, extraído de seu primeiro livro dedicado ao gênero, incluído nessa edição. O texto de tom onírico é forjado entre o exotismo de uma cultura estrangeira e repressora e de sensualidade latente.

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    Alexandre Kovacs04/01/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Granta em português - Vol. 10

    Editora Objetiva, Selo Alfaguara, lançamento 2012. A seleção de autores desta décima edição da revista Granta em português chama a atenção pela diversidade de estilos (apesar de todos reunidos em torno do mesmo tema: Medidas Extremas), variando de autores tão diferentes quanto Don DeLillo, Stephen King e António Lobo Antunes, incluindo escritores contemporâneos como Roberto Bolaño, Will Self e Alice Munro e ainda sem esquecer da participação de autores nacionais, com contos de Everardo Norões, Beatriz Bracher, Adriana Lisboa e Andréa del Fuego. Assim como em outras edições da Granta, foi acrescentado também um ensaio fotográfico das esculturas do artista plástico mineiro Matheus Rocha Pitta. A abertura desta edição é de um conto de Will Self originalmente publicado na edição inglesa da Granta Nº 117 de 2011 sobre terror. Neste conto, Sangue Falso, Will Self narra o impacto de um diagnóstico de Policitemia vera (aumento de glóbulos vermelhos no sangue, tornando-o mais grosso) recebido durante a virada de 2010 para 2011. O autor conta também, em paralelo, suas memórias sobre a época em que era um consumidor de drogas pesadas: "Eu injetava e injetava e injetava e injetava... depois caía de volta na terra, e não terminava com nada mais preocupante do que um rastro de marcas externas desbotadas e trombose em torno das veias que usara com maior frequência. Não fazia muito meu tipo o pico arterial na virilha, que se der errado leva à amputação — ou o pico no pescoço ao estilo Christiane F., que leva, presumivelmente, à decapitação." O conto escolhido do festejado autor chileno Roberto Bolaño explora também os limites entre doença e morte de forma autobiográfica no contexto desta edição, "Medidas Extremas", em seu ensaio “Literatura + doença = doença”: “Escrever sobre a doença, principalmente se você estiver gravemente doente, pode ser um suplício. Escrever sobre a doença se você, além de estar gravemente doente, é hipocondríaco, é um ato de masoquismo ou de desespero. Mas também pode ser um ato libertador. Exercer, durante alguns minutos, a tirania da doença (...) é uma tentação, uma tentação diabólica, mas ainda uma tentação.” Fugindo um pouco do tema das situações-limite desta edição, mas em um conto extremamente agradável de se ler, Adriana Lisboa narra em “Aquele ano em Rishikesh” a surpreendente relação que mistura fantasia e realidade entre uma idosa de 82 anos com Alzheimer e seu neto adolescente, ambos ligados entre si pelo amor aos Beatles e por um suposto antigo relacionamento dela com George Harrison na época em que ele foi influenciado pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi: "John topou com seu instant karma ao sair de casa certo dia. O karma de George não teve nada de instant, foi um karma manipulado por um torturador chinês com oito braços (...) pode ser que George reencarne de uma forma sensacional depois dessa. Embora - sejamos honestos: que outra forma de vida mais sensacional pode haver depois que o sujeito encarna como Beatle e compõe 'While My Guitar Gently Weeps'? Talvez George reencarne como um outro tipo de Beatle num outro planeta ou dimensão onde não existam coisas como câncer (...)." Em “Sofia, o motorista e o cobrador”, Andréa del Fuego cria um personagem inesquecível, cobrador de ônibus, que vive um amor obsessivo por Sofia, uma das passageiras. Andréa del Fuego nos convence com muita criatividade que toda uma vida e um universo de amor e tragédia podem caber na linha de ônibus 5982: "Sou cobrador de ônibus. De onde fico nada me escapa, pois me sento no banco mais alto do coletivo. Saio às cinco da manhã e volto às duas da tarde (...) Perdi o olfato aos doze, tenho quarenta, são vinte e oito anos escolhendo fruta pela cor. Assim escolhi Sofia, moça castanha, deve exalar mel (...) Conheci Sofia no trabalho, ela frequentava meu ônibus. Roçava, toda manhã, o quadril largo pela roleta sem me dar atenção."

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    Beatriz Bracher

    Beatriz Bracher (São Paulo, 1961) é uma escritora e roteirista brasileira. Foi uma das fundadoras da Editora 34, na qual trabalhou de 1992 até 2000. Também editou a revista 34 Letras, especializada em literatura e filosofia, entre os anos de 1988 e 1991. Escreveu o argumento do filme Cronicamente Inviável (2000) e os roteiros de Os Inquilinos (2009, prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio) e O Abismo Prateado (2011. Seu livro Antônio, de 2007, ficou em terceiro lugar no Prêmio Jabuti, na categoria romance. Além disso, foi o segundo colocado no Prêmio Portugal Telecom de Literatura e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Em 2009, recebeu o Prêmio Clarice Lispector pela coletânea de contos Meu Amor.

    8 Livros
    17 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Beatriz Bracher