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    Balada de Estrelas -

    G. Altov, V. Juravleva

    GRD Edições
    1966
    114 páginas
    3h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.5
    2 avaliações
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    "Balada de Estrelas" de Genrikh Altov [aka] Genrich Altshuller & Valentina Zuravleva [aka] V. Zhuravlyova e/ou V. Juravleva: "Estavam sentados um defronte do outro, o homem e o Vidente, o ser pensante do Planeta estranho. O homem vestia uma roupa branca, leve, o Vidente uma capa azulada, que quase perdera toda sua transparência à luz difusa da astronave. O rosto de Raio tomara contornos mais nítidos. Fino, perfeitamente liso, a testa ampla, parecia não ter idade: talvez fosse muito velho, talvez muito moço. Raio estava imóvel; seu sorriso enigmático congelara-se no rosto. O homem não prestava atenção aquele sorriso. Olhava os olhos vermelhos, divididos numa multidão de células quadradas, mal visíveis. Raios róseos escapavam dos olhos e formavam quadros. Através do tecido aéreo desses quadros, via-se o quadrado, com a tela esteroscópica, a máquina eletrônica, a mesa, a biblioteca e o armário de microfilmes. Em cima, o cronômetro deixava ouvir seu tique-taque irregular. O alto falante da estereotela zumbia sem cessar. O homem não lhe dava atenção. A história do Planeta e dos Videntes fazia com que tudo ele esquecesse."

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    Resenhas (1)Ver mais
    Alejandro Guevara picture
    Alejandro Guevara01/10/2017Resenhou um livro
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    FC EM VISÃO SOVIÉTICA (Resenha de Miguel Carqueija)

    Resenha do romance “Balada de estrelas”, de G.Altov e V.Juravleva. Edições GRD, Rio de Janeiro-RJ, 1966. Tradução de José Sanz. Traduzido do francês “La ballade des étoiles” em “Les meilleures histories de science fiction soviétique”, Robert laffont editor, Paris, 1963. Capa: Juarez Paraíso. Ficção Científica GRD, 19. Prefácio de Gumercindo Rocha Dorea. A ficção científica russa do tempo do comunismo não é apenas russa; é soviética, ideológica. Também costuma ser pragmática, “hard”, sem grandes aberturas para a fantasia. De modo geral é triunfalista, ufanista, e supõe um futuro em que a União Soviética domine o mundo, ou pelo menos o lidere, e conduza a exploração espacial. Ou seja, um mundo onde o socialismo venceu e construiu a sua utopia sem Deus. E é uma curiosidade da edição brasileira que o editor, o lendário GRD, acrescentou um posfácio por não concordar com a propaganda ideológica contida no romance. Mesmo reconhecendo o valor literário da obra (afinal, ele a publicou) Dorea aponta a inconveniência do proselitismo com suas afirmações descabidas, como esta: “a humanidade passou da selvajeria à sociedade comunista, isto é, à justiça!” Ao editor não escapa o ridículo de tal messianismo. Todavia é um bom livro pela parte técnica, pela linguagem sóbria e escorreita. Curiosamente há lugar para a poesia: “Beleza que beberei sem me cansar, quietude onde, por um murmúrio, darei minha alma, floresta onde me perderei para sempre.” A saga de astronautas como Chevtsov e Lanskai tem realmente seu grau de poesia e detalhes científicos vão tornando a leitura atraente, como por exemplo a descrição dos perigos da poeira cósmica ou, como se lê no texto, “poeira negra”: “Nas velocidades subluminosas era impossível atravessar as nuvens de poeira interestelar. A poeira atirava-se sobre o metal, arrancava-lhe os átomos, uns após outros, roía completamente a nave, como as minúsculas formigas roíam até aos ossos as enormes carcassas dos javalis... (...) Aquilo lembrava uma doença incurável. A corrosão pelas poeiras prendia a astronave numa rede de pequenos ferimentos, aprofundava-os progressivamente e produzia cânceres que desagregavam o envoltório da nave.” A trama também especula sobre vida racional extraterrestre e tem seus questionamentos filosóficos. Descontada a propaganda política é uma história dotada de beleza. Rio de Janeiro, 17/9/2017.

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