This delicious, steamy debut novel chronicles the adventures of Nan King, who begins life as an oyster girl in the provincial seaside town of Whitstable and whose fortunes are forever changed when she falls in love with a cross-dressing music-hall singer named Miss Kitty Butler. When Kitty is called up to London for an engagement on 'Grease Paint Avenue,' Nan follows as her dresser and secret lover, and, soon after, dons trousers herself and joins the act. In time, Kitty breaks her heart, and Nan assumes the guise of butch roue to commence her own thrilling and varied sexual education - a sort of Moll Flanders in drag - finally finding friendship and true love in the most unexpected places.
Tipping The Velvet -
Sarah Waters
Edições (3)
Ver maisMaravilhosamente perfeito, delicioso, estupendo!
O fato de um livro pelo fato dele ter ou não recebido prêmios literários não é decisivo para que eu faça a leitura, mas quando se trata de literatura lésbica, tenho a curiosidade de pesquisar quais premiações a obra teve quando a produção literária é de alta qualidade, mas o alcance não é tão grande e assim eu considero ser o caso de Tipping the Velvet. O livro foi considerado notável pela crítica literária, a exemplo do The New York Times e ganhou prêmios regionais ou voltados para a produção LGBT, como o Lambda de Ficção Lésbica, o Betty Trask, recebeu também o Ferro-Grumley Award e o John Llewellyn Rhys Prize. Apesar disso, não atrai uma quantidade significativa de leitores e não alcança o público heterossexual, então a mensagem que fica é que não importa quão bom um livro seja, se ele é escrito por uma mulher lésbica e protagonizado por mulheres lésbicas, apenas mulheres lésbicas irão ler. Imagina que absurdo uma mulher hétero ser vista lendo Sarah Waters e ser comparada com uma... uma "Tom"! Em "Tipping the velvet", acompanhamos a trajetória de Nancy Astley, uma menina oriunda de um lugar simplório cuja subsistência provinha do comércio de ostras. Em seu tempo livre, ela gostava de ir à cidade ver artistas se apresentarem no "Music hall", onde conheceu Kitty Butler, que na época performava um show com trajes masculinos, o que, para a era vitoriana, era um acontecimento "queer". A partir daqui acompanhamos o despertar do desejo e da admiração de Nancy por Kitty, que por sua vez aspirava se tornar uma grande estrela e abominava a ideia de ser associada a uma "tom". Ela podia ir pra cama com uma mulher, mas se achava diferente e superior daquelas que se assumiam em público. O livro, no entanto, é dividido em três partes, e a autora nos surpreende quando mostra que a história vai muito além desse enredo inicial do envolvimento entre Nancy e Kitty e da problemática em torno da aceitação do amor entre mulheres. O ápice da primeira parte é quando Nancy se vê traída e rejeitada pelas pessoas que mais amava e seu mundo desmorona, ao tempo em que mergulhamos na segunda parte junto com novos personagens e exploramos o desenvolvimento de Nancy, seu amadurecimento, a volta por cima, sua vulnerabilidade e desespero fazendo com que ela caísse nas mãos de Diana Lethaby, uma viúva rica e predadora de meninas como Nancy. Ressalto aqui a importância de que Waters não romantiza suas personagens por serem lésbicas, na verdade ela entrega personagens muito reais, escancarando suas sombras quando existentes e criando um envolvimento emocional muito grande entre o leitor e a história. O desfecho da segunda parte nos leva à terceira parte, em que a autora introduz um mundo de revolucionários socialistas que lutam por uma Inglaterra menos desigual e injusta com os menos favorecidos e Nancy, que oscilava entre a pobreza e a riqueza extremas pelos caminhos da vida, teve um choque de realidade ao entrar naquele universo, o mesmo que teve ao descobrir que ela não era a única que andava nas ruas de Londres com o cabelo curtinho e vestindo roupas masculinas, também vemos Nancy descobrir o significado de termos como o próprio "tipping the velvet", que dá nome ao livro. São vivências e conhecimentos que nos são negadas até hoje em decorrência da heteronormatividade. Florence (Flo) a apresenta então a essas mulheres subversivas, que se recusam a performar o papel da feminilidade que lhes era imposto. Frequentavam lugares como o bar não fictício "The boys on the boat" e foi aqui que descobri que "Tipping the Velvet" foi escrito a partir da tese de Doutorado de Waters e eu não poderia ficar mais maravilhada. Deixo aqui citações deveras interessantes do irmão de Flo durante um discurso para trabalhadores ingleses: "Truth is a queer thing, when it comes to rich men talking about the poor. Only think: if we broke into a rich mans house, he would call us thieves, and send us to prison. If we set a foot on his estate, we would be trespassers - he would set his dogs upon us! If we took some of his gold, we would be pickpockets; if we made him pay us money to get the gold back, we would be swindlers and con-men! But what is the rich mans wealth but robbery, called by another title? The rich man steals from his competitors; he steals the land, and puts a wall about it; he steals our health, our liberty; he steals the fruits of our labour, and obliges us to buy them back from him! Does he call these things robbery, and slave-holding, and swindling? No: they are termed enterprise; and business skill; and capitalism. They are termed nature." "Because Britains people, you will say, have laboured under the capitalist and the landlord system and grown only poorer and sicker and more miserable and afraid. Because it is not by charity and paltry reforms that we shall improve conditions for the weakest classes - not by taxes, not by electing one capitalist government over another, not even by abolishing the House of Lords! - but by turning over the land, and industry, to the people who work it." Não é "só" um romance lésbico, a obra passa longe de ser superficial e monotemática, pelo contrário, desperta tantos sentimentos, aborda temas sensíveis, complexos e tão caros e por isso posso dizer que fiquei com uma sensação de ternura muito grande pelas personagens e de saudosismo enquanto escrevia esta resenha, sinto que terão sempre um lugar em meu coração, pois "Tipping the Velvet" com suas reviravoltas, foi um dos livros mais envolventes que já li na vida e olha que eu já tinha visto a adaptação feita pela BBC umas quatro vezes e já sabia de toda a história. P.s.: gostei de ter lido no idioma original, expandi meu vocabulário em inglês com alguns termos específicos do inglês britânico que desconhecia.
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