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    Marco Zero II: Chão -

    Oswald de Andrade

    José Olympio
    1944
    468 páginas
    15h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.9
    5 avaliações
    Leram8Lendo0Querem27Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados27Avaliaram5

    O romance Marco zero, de Oswald de Andrade, foi concebido como um conjunto de cinco livros. Deveria constituir, nas palavras do próprio autor, um mural, um afresco, um mosaico e um comício de idéias: enfim, uma síntese da história do Brasil na primeira metade do século XX a partir de São Paulo. Dos cinco livros projetados, porém, apenas dois foram escritos e publicados: Marco zero I — A revolução melancólica e Marco zero II — Chão. Marco zero II — Chão tem apresentação de Roger Bastide e prefácio de Antônio Celso Ferreira. O segundo e afinal último volume da pentalogia inacabada (1945), apesar do subtítulo, não trata, como outros romances da época, da terra e suas questões, mas ao contrário. “É essencialmente urbano. [...] Onde está ela [a terra]? Está nas carteiras dos banqueiros, nas letras de câmbio dos capitalistas. Chão é o momento da crise em que o valor da terra deixa de ser um valor de produção para ser um valor de troca. A esse fato sociológico corresponde um fato psíquico: o fator telúrico cede lugar à saudade da propriedade, a uma decomposição dos sentimentos e a uma desorganização moral na alma dos velhos proprietários. Verdadeiramente, o título é muito bem achado na sua ironia! [...] Já se notou que os escritores brasileiros gostam muito de misturar discussões de idéias aos seus romances [...]. Não devemos, pois, considerar como idéias de Oswald de Andrade as idéias dispersas em Chão. São pontos de vista e, para ficarmos mais perto da técnica oswaldiana, digamos que são tomadas de vista cinematográficas da realidade paulista através de mentalidades diferentes de integralistas, comunistas, revolucionários cristãos, ou, ainda, da arte através de doutrinadores da arte pura e da arte utilitária a serviço do povo”.

    Resenhas (1)Ver mais
    Wagner Paulin picture
    Wagner Paulin02/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    RUA 15 EM SANTOS

    (...) Vocês perderam também o sentido do mar. Só compreendem o mar das exportações, o mar do negócio (...) in: ANDRADE, Oswald. Marco Zero - Chão. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974. pg 14

    4 curtidas

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    3.9 / 5
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    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira  profile picture

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira

    Articulador e ativo participante do modernismo lançado em 1922, Oswald de Andrade foi o escritor mais rebelde de todo o movimento e o que mais tendeu, em sua prática, à formulação de utopias. Assumindo posturas radicais de esquerda, quis revolucionar não só a arte, mas também os costumes, as instituições e a vida social como um todo. De família rica, José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo SP em 11 de janeiro de 1890. Iniciando-se no jornalismo em 1909, como crítico teatral, em 1912 viajou pela primeira vez à Europa, de onde voltou com uma estudante francesa, Kamiá, a primeira de suas várias mulheres, e novidades de vanguarda como o "Manifesto futurista" de Marinetti. Bacharel em direito (1918), tornou-se amigo de Mário de Andrade, a quem lançou pelo Jornal do Comércio através do artigo "O meu poeta futurista". Em 1923, passou nova temporada na Europa, vivendo com a pintora Tarsila do Amaral, com quem mais tarde formalizaria o casamento. Lá conheceu importantes renovadores das linguagens artísticas, como Picasso, Blaise Cendrars, Erik Satie, Léger, Cocteau e Brancusi. Em 1924, publicou Memórias Sentimentais de João Miramar, um de seus livros mais conhecidos, e o "Manifesto da poesia pau-brasil", de ampla repercussão. Em Paris publicou Poesia pau-brasil (1925). Após viajar pelo Oriente Médio, retomou em São Paulo a atividade jornalística e lançou A estrela de absinto (1927; um dos romances da Trilogia do exílio). Colaborador assíduo dos principais veículos da pregação modernista, como as revistas Klaxon e Verde, fundou em 1928, com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado, a Revista de Antropofagia, que já em seu número inicial divulgou um dos textos mais polêmicos de Oswald, o "Manifesto antropófago". Dissidente, a essa altura, do grupo mais ligado a Mário de Andrade, lançou nesse texto, "contra todos os importadores de consciência enlatada", um de seus lemas de maior futuro: "Tupy or not tupy, that is the question." Em 1931, ingressou no Partido Comunista Brasileiro e começou a escrever sobre política. Separado de Tarsila e vivendo com Patrícia Galvão (Pagu), precursora do feminismo, fundou com ela O homem do povo, periódico de curta duração que pregava a luta operária. Casou-se outras duas vezes, candidatou-se em vão à Academia Brasileira de Letras e publicou intensamente: Serafim Ponte Grande (1933), O homem e o cavalo (1934), A escada vermelha (1934), A morta (1937), O rei da vela (1937), Marco Zero: a revolução melancólica (1943). Sempre rebelde e contestado por seus contemporâneos, Oswald de Andrade morreu em São Paulo em 22 de outubro de 1954, ano da publicação de suas memórias, Um homem sem profissão, sob as ordens de mamãe. Cerca de dez anos depois, sua obra nada canônica começou a ser revalorizada pelos intelectuais concretistas e pelos movimentos de poesia jovem

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    São Paulo, Brasil

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira