Niels Lyhne -

    Jens Peter Jacobsen

    Aegypan
    2007
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9781598183467

    Niels Lybne recounts the life of its eponymous hero, a poet, emphasizing the influence of experience on psychological development and examining philosophical issues: the nature of reality, atheism, creativity and love.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (3)Ver mais
    jota 11 picture
    jota 1113/02/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os sofrimentos do jovem Niels

    Jens Peter Jacobsen (1847-1885) viveu pouco mas consagrou-se como um dos autores mais importantes da Dinamarca. Estudioso de Darwin, considerado o fundador do naturalismo em seu país, sua obra mais conhecida e admirada, Niels Lyhne (1880), um romance de formação, traz como personagem central um aspirante a poeta, um sujeito dividido entre o romantismo e o realismo. Com a morte de sua primeira paixão quando tinha apenas doze anos, a prima Edele, catorze anos mais velha que ele, Lyhne também tem o pensamento dividido entre a fé e a razão desde cedo. Sua desilusão aos poucos se transforma em crescente ateísmo com a morte de várias pessoas próximas e de seu amor não correspondido por algumas mulheres, incluindo a esposa de um primo querido. O céu não lhe dá as respostas que busca, pessoas amadas têm suas vidas ceifadas ou partem cedo; Niels se torna amargo, desiludido, solitário... Vê que não se transformou no poeta que sonhava nem no administrador competente das propriedades paternas. O que faz então para acalmar sua alma? Viaja pelo continente europeu durante cerca de dois anos, meio sem rumo, vive pobres aventuras, apaixona-se novamente, desta vez em uma Veneza tomada pela cólera por uma cantora lírica, mas é abandonado outra vez (lembrou-me Thomas Mann e Morte em Veneza). Retorna à Dinamarca e agora parece que será feliz ao conquistar o amor da jovem Gerda, que depois de dois anos de casamento lhe dá um filho. Tudo vai bem até que... Desde o bucólico início até o comovente final Niels Lyhne é permeado pela poesia. As cenas transcorrem vagarosamente, nada é descrito com pressa, tudo é observado demoradamente, com olhares de poeta (e às vezes de filósofo): rostos, olhos, cabelos, dentes, roupas, até mesmo o movimento das cortinas de um quarto balouçando ao vento primaveril e iluminadas pelos raios de sol matinal. A natureza também se torna personagem, o mar, o vento, a floresta, as plantas, a neve, o sol... Tudo é esplêndido e ao mesmo tempo tudo é tão delicado. Os personagens tremem, suspiram, dizem "oh" com frequência, sofrem ao morrer (nem todos) mas morrem poeticamente (as pessoas morrem a morte, a difícil morte, diz Jacobsen). E morrem jovens demais; mesmo o autor morreu com apenas 38 anos. Niels Lyhne e Jens Peter Jacobsen estão para a literatura dinamarquesa do mesmo modo que Os Sofrimentos do Jovem Werther e J. W. Goethe estão para a alemã. O escritor austríaco Stefan Zweig achava ainda que além de Werther, Niels também apresentava características que o assemelhavam a Hamlet (Shakespeare) e Peer Gynt (Ibsen). Para outros, por seu enfrentamento da angústia da condição humana, Niels/Jacobsen influenciam Rilke (influência confessa), Hesse, Musil, Kafka e Hamsun. Enfim, a obra comporta alguns níveis de leitura que vão além de uma narrativa naturalista e romântica muito bem escrita, prosa que se lê como poesia. Como não se prender a uma história em que logo de início uma personagem, Bertoline, a mãe de Niels, é descrita nos seguintes termos: "Ela vivia em versos; ela sonhava em versos e acreditava nos versos mais do que em qualquer outra coisa."? Niels Lyhne vai agradar especialmente àqueles leitores que costumam ler nas entrelinhas. Lido entre 28/01 e 12/02/2017. Minha avaliação: 4,5.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 7
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas71%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%