AEcM12 conta a história de Arivaldo Anestézijo, um homem peculiar, um tanto introspectivo e apaixonado. A história se passa no futuro onde o homem chegou ao ponto de conseguir criar um robô sem qualquer peça mecânica, apenas com a utilização de um componente que tem a espantosa similaridade com a composição humana. Muitos acharam tal avanço formidável, finalmente poderiam ter tudo o que sempre sonharam pelo preço de uma pequena bagatela. Quem não iria querer a ilusão de ter de volta um ente querido? Um filho, um marido, um irmão?
“Nem a recordação constante é cura nem é sintoma, são engrenagens da questão maior: vale a pena carregar na memória a lembrança daquele que para sempre perdemos?”
Arivaldo durante muito tempo foi apaixonado por sua vizinha, e mesmo sempre lhe cedendo um ombro amigo e lhe cobrindo de elogios, jamais foi capaz de conquistar o coração de Lucia. Inconformado, ele manda fazer uma cópia exata de Lucia para enfim poder possuir a mulher que ama, ou ao menos uma imitação. Mesmo em um futuro distante, evoluído ao se comparar ao nosso tempo presente, vemos que o homem não muda, continua a agir movido a emoções, impulsos e medos.
“Apaixonar-se é obter a permissão de se tornar bobo.”
Arivaldo já trabalhará para uma grande empresa de fabricação de seres artificiais, conhece todos os componentes e peculiaridades da criação de um androide. Ele se empenhou em criar sua própria família, seus filhos robóticos a espera da mãe. Radulfo, o bonequinho de chumbo; Eusébio, o grilo falante; as bailarinas, Linda e Bela; as barbiretas, Lua e Mel; Menino; Isabela; três homens-buldogues, Fusca, Almôndegas e Hugo; dois gatos de botas e um tigre de bengala.
“São quase uma família, com um ser humano, uma mecamorfo e diversos filhos robóticos, ainda assim afamiliados, prontos a viver como a sociedade indica.”
Apesar de o livro ser futurista não vemos grandes cenários pintados de tecnologia, o enfoque da história é Arivaldo, sua solidão, e sua busca em aplacá-la. Flavio nos presenteia com uma história envolvente, dramática em certos momentos e com um humor bastante peculiar em certos aspectos. Com personagens bem construídos e cativantes vemos que até mesmo sob lata e metal é possível haver um coração pulsante até mais sincero do que os “reais.”
Por que o livro merece 5 estrelas? A capa é linda, a diagramação é perfeita, sem erros gramaticais (as leitoras chatas agradecem), pela sua característica poética, sem muitos diálogos, mas repleto de floreios e pérolas linguísticas. Passando longe dos clichês AEcM12 veio para conquistar as amantes do bom uso das palavras.