Ninguém presta neste livro. Não por serem vilões maléficos ao estilo Disney, mas por não terem a mais simples decência humana. Azevedo sempre se esmerou em expor as hipocrisias sociais e o que se considera como o verdadeiro caráter brasileiro. Assim, seus personagens lutam para evitar a miséria, isso é o que define suas motivações: enriquecer é não passar necessidades. E para isso vale tudo, perda da honra, enganar o próximo, conchavos e conluios, aquelas pequenas corrupções do dia-a-dia de quem tem que contar moedas para comprar o pão. Isso tudo seria perdoável... porém o personagem principal, Amâncio, é aquele típico "filho d'algo" que devido a abusos na infância, sejam eles pela violência ou pela carência, enxerga as pessoas - principalmente as mulheres e os pobres - como algo próximo a gado, a animais. Ali para satisfazer suas necessidades físicas e nem um pouco merecedor de estima ou respeito. Essas duas naturezas entram em conflito na casa de pensão que é o título. Uma história que é feita de puro desprezo e fofoca.
Casa de pensão -
Aluísio Azevedo
Tecnoprint S.A
1884
335 páginas
11h 10m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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