As Viagens de Gulliver podem ter duas leituras completamente diferentes:
A primeira: uma jornada que mistura fantasia e ficção científica onde um homem comum é várias vezes levado a outras terras onde civilizações fascinantes o aguardam. Dos pequenos Lilliputianos aos animalescos em aparências, mas não em modo, os Houyhnhnms.
É uma obra encantadora que ultrapassa a linha entre real e irreal, fornecendo uma visão nova do que poderíamos receber de outros povos.
A segunda: uma sátira ácida em que os defeitos sociais são amplamente criticados. A pequenez dos políticos é revelada fisicamente nos Lilliputianos, a autoridade exarcebada de outros Povos e Religiões é execrada em atos que agridem a sensibilidade, o próprio desprezo pela espécie humana que se vê acima de todos os outros é exposta pela filosofia dos Houyhnhnms.
A misantropia e o sardonismo imperam.
A primeira impressão foi a que tive quando li Swift pela primeira vez, ainda criança. A última foi já adulta, sem aquela viseira que a tenra idade nos impõe.
Recomendo.