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    Os sofrimentos de Alzira -

    Leandro Gomes de Barros

    Domínio Público
    1974
    48 páginas
    1h 36m
    Português Brasileiro
    3.9
    8 avaliações
    Leram15Lendo0Querem8Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos1Desejados8Avaliaram8

    Cordel de Leandro Gomes de Barros com uma história de amor e sofrimento

    Resenhas (2)Ver mais
    João Vítor Ribeiro de Oliveira picture
    João Vítor Ribeiro de Oliveira25/02/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Reflexões sobre o destino dos justos, em meio às provações

    O cordel "Os Sofrimentos de Alzira" é de autoria de Leandro Gomes de Barros (1865-1918), um dos poetas populares mais famosos em solo nacional, tendo publicado centenas de obras. Nesta história rimada, o cordelista, embora conhecido por sua escrita com humor usual, investe num clima concomitantemente dramático, melancólico e profundamente religioso. A trama enfoca, como o título propõe, nos dissabores que a protagonista Alzira se vê compelida a enfrentar, sobretudo pelas perseguições a ela dirigidas, por conta da sua fé cristã. Cabe ressaltar que Alzira, embora oriunda de uma nobre família da corte, desde criança cultivava um espírito de humildade, reconhecendo a sua miséria e pequenez, concomitante a grandeza de Deus Pai. Sobre a virtude da humildade, Mons. Ascânio Brandão (A Humildade, 1941, p. 11) ensina-nos que esta é "[...] realmente o fundamento da perfeição, e a chave dos tesouros da graça, a virtude absolutamente necessária a todo cristão". Nos seus atos de amor, regados por uma solidariedade genuína pelos seus semelhantes, em suas incessantes orações, por si própria e pelo próximo, podemos claramente identificar a virtude da humildade em Alzira. Sua atitude muito diverge daquela adotada por seu pai, um conde que apenas prezava os bens materiais, até mesmo acima de sua própria filha. É interessante salientar que mesmo em face de inúmeras adversidades, Alzira mantinha íntegro o seu coração, e diante das suas incessantes súplicas, Deus sempre as atendia. É nesse sentido que nos exorta o apóstolo São Pedro, quando diz "humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno" (1Pd 5,6). Em certa ocasião, se encontrando abandonada numa ilha deserta e com a alma entristecida, a jovem moça foi agraciada com a aparição de uma mulher que lhe asseguraria proteção e sustento material, incentivando-lhe o espírito de luta, na certeza da vitória. Acredito que a mulher sobredita trata-se de Maria Santíssima, Nossa Mãe. Destaco um trecho marcante de Sua fala: "Eu sou mãe dos desvalidos / amparo dos desgraçados / glória dos arrependidos / consoladora dos tristes / doçura dos afligidos" (BARROS, 1974, pg. 34). Ademais, convém observar que Alzira não almejava, em momento algum, pagar o mal com o mal contra aqueles que atentavam contra ela e planejavam-lhe traições e armadilhas. Mas, sim, seguindo os ensinamentos de Cristo, ela os perdoou, além de recomendá-los a pedirem perdão a Deus pelas suas faltas. Afinal, se Deus nos perdoou em Jesus Crucificado, porque não haveríamos de nos perdoar uns aos outros também, sendo bondosos e compassivos? (cf. Ef 4, 32). Em última análise (mas longe de querer esgotar os ensinamentos da obra), gostaria de chamar a atenção para o desfecho da história, sobretudo no tocante ao casal principal. Provavelmente isto será um "spoiler", mas eu não poderia deixar de falar sobre - então quem lê sinta-se à vontade para pular esta parte. Há quem possa discordar da reconciliação amorosa entre Alzira e seu marido, enxergando nela uma mera submissão feminina, enquanto consequência do sistema patriarcal. Sim, reconheço que ao decorrer da trama certos aspectos machistas se mostram evidentes, dado o contexto da época, e atesto, não corroboro com tais pontos de vista. Porém, reflitamos: como Deus nos criou à sua imagem (cf. Gn 1,27), se deixarmos o orgulho de lado - este que é o principal obstáculo para a humildade -, e pedirmos perdão, bem como perdoarmos a quem nos feriu, não estaríamos nos reconciliando também com o Pai? E afinal, não é isto que nos ensina a Sagrada Escritura, reconciliarmo-nos com Deus? (cf. 2Cr 5, 18-20). Para concluir, indico a todos a leitura deste cordel, o qual, ao passo que diverte, certamente traz em seu bojo muitas lições para aprendermos e praticarmos em todas as circunstâncias da nossa vida, com especial prudência nos momentos de provação.

    2 curtidas

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    3.9 / 8
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    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Leandro Gomes de Barros

    Leandro Gomes de Barros (Pombal, 19 de novembro de 1865 — Recife, 4 de março de 1918) foi um poeta de literatura de cordel brasileiro. É considerado por alguns como o primeiro escritor brasileiro de literatura de cordel, tendo escrito mais de 230 obras. No seu tempo, era cognominado O Primeiro sem Segundo, e ainda é considerado o maior poeta popular do Brasil em todos os tempos, autor de vários clássicos e campeão absoluto de vendas, com muitos folhetos que ultrapassam a casa dos milhões de exemplares vendidos.

    40 Livros
    19 Seguidores
    Paraíba, Brasil

    Leandro Gomes de Barros