Eu já havia lido outro livro desta autora em minha pós graduação e, embora seja uma leitura curta e, de certa forma, básica, não é uma leitura fácil, pois utiliza uma linguagem complexa que requer aprofundamento ou algum conhecimento prévio de semiótica (CS Pierce, por exemplo: “Uma palavra possui um significado para nós, na medida em que somos capazes de utilizá-la para comunicar nosso conhecimento a outros e na medida em que somos capazes de apreender o conhecimento que os outros procuram comunicar-nos.”).
Ao longo do livro, a autora retrata por meio de exemplos urbanos tipicamente paulistanos e os associa a linguagem de elementos arquitetônicos da cidade como um espaço privilegiado do não-verbal. Na prática, não se ensina como ler o não-verbal, aliás, nem se pode, pois é mais um desempenho do que uma competência afinal, sendo dinâmico, exige uma leitura - se não desorganizada, pelo menos - sem ordem preestabelecida, convencional ou sistematizada. Assim, dominada pelo movimento, “a leitura não verbal aciona a descontinuidade sígnica presente no espaço ambiental, a fim de concentrar os signos-índices-traços de significação.”.