Este livro, resultado do debate promovido por pesquisadores da área da Comunicação - dentre eles alguns publicitários -, apresenta uma diversidade de opiniões decorrente da história profissional de cada um dos participantes. Priorizando a publicidade como foco, os autores analisam a relação desta com o consumo e as expectativas do cliente, com a produção e recepção na comunicação publicitária, o corpo, a arte, a imagem e o mito. Essa diversidade enriquece a discussão, uma vez que os temas são desenvolvidos de forma a estabelecer um concerto de vozes que ora se complementam, ora realizam um debate indireto, respeitando a certeza, que partilhamos, de que é na diversidade de opiniões e na multiplicidade de olhares que se constrói qualquer pensamento significativo.
Publicidade e Cia -
Malena S. Contrera, Osvaldo T. Hatori
Como se faz um bom publicitário
Publicidade e Cia., organizado pelos professores Osvaldo Takaoki Hattori e Malena Segura Contrera é uma obra que merece toda nossa atenção. Eu explico. Primeiro, apesar de não ser um volume extenso, trata-se de uma abordagem detalhada de alguns conceitos fundamentais para se fazer uma boa publicidade. Logo no primeiro capítulo, escrito pelo redator publicitário e professor das Universidades Mackenzie e Anhembi Morumbi, Celso Figueiredo, o livro apresenta o tema "consumo". Sob uma forma diferenciada de pensar no assunto, a primeira pergunta do livro é fascinante. Afinal, o cliente tem mesmo sempre razão? E a resposta é um canoro não. Pessoas são únicas e nós publicitários insistimos em tratá-las como "público-alvo", como se todas fossem iguais, como se um apelo funcionasse igualmente para todos os consumidores. Na verdade, a base da propaganda ainda reside na chamada comunicação de massa. E ai vem o exemplo mais pertinente de todos, em que Henry Ford - criador da primeira linha de produção do revolucionário Ford T - ao ser informado por um de seus funcionários de que alguns consumidores queriam carros coloridos, Ford cunhou a frase que ficou mundialmente conhecida como a síntese da massificação: "Os clientes poderão ter o Ford T em qualquer cor, desde que seja o preto". Com o desenvolvimento do marketing e das estratégias de comunicação foi-se notando que, quanto maior o grupo de consumidores, menos interesses em comum cada um de seus componentes teria com os outros. O homem de propaganda deve estar constantemente sintonizado com as necessidades prementes e imediatas que devem ser satisfeitas para agradar o cliente e motivar o consumidor, de forma a propiciar o tão esperado retorno comercial. Em um outro capítulo, o tema "publicidade x arte" é discutido com extrema relevância. As críticas que sofre a publicidade, por conta de sua estreita associação com o capital, não impedem sua aceitação popular nem a filiação de mais e mais artistas a cada dia que passa. A legitimidade alcançada não tardará a trazer o reconhecimento que diversos autores já lhe conferem. E nessa visão, nem profana, nem sublime. A arte é manifestação humana, e a publicidade é uma de suas vertentes. E finalmente o capítulo que trata do mito na publicidade. É onde vemos a questão central com a qual a comunicação de massas opera: se o que é mítico precisa de ritualização para permanecer, seguindo esse princípio, o que se repete e permanece se legitima e se mitifica. Sem dúvidas, um ótimo livro para quem se interessa em conhecer com mais profundidade alguns aspectos que formam um grande profissional de publicidade.
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