Este terceiro livro de Diego Mileli diferencia-se profundamente dos anteriores começando uma nova fase literária do autor. Os poemas assemelham-se a prosa bem como a temática já se apresenta diferente em si e no trato do antigo. Nota-se em alguns textos uma crítica do autor às próprias obras. A partir desse momento os poemas tratam além de sensações, de conceitos e da realidade, analisando-os e criticando com ironia e sarcasmo, recheando a poesia de vida, vitalidade, inconformismo ativo em vez da melancolia romântica. O título explica o livro. Em “Vida”, compreende-se a análise conceitual das coisas, a mudança do ser humano ao longo do tempo até ser renegado por si mesmo e relegado, porquanto, como se lê no final do Pretérito Mais Que Presente, “Nada é mais humano que a miséria”. Busca-se a poética do cotidiano e o humano da humanidade, não mais mergulha-se em si mesmo, e sim no mundo para desvendá-lo e expô-lo, incomodá-lo com a parte que ele tenta esconder de si por vergonha. Desvela que a mudança só pode surgir com questionamento e, tendo mudando, quer mudança. Em “Poesia” Diego Mileli pondera sobre o que é poesia como se faz, porquê, se há explicação. Poesia tem capacidade de ação ou é somente contemplação? Quer saber o que faz uma poesia e considera que “só faz poesia uma escrita/Se ao poeta rouba um pouco de vida.” e conclui em outro poema que “E é o leitor quem termina de escrever.”, passando ao leitor o fim da construção poética posto que não sentirá poesia aquele cuja bruteza do pensamento não se permita a liberdade do sonho e da vida. Destaca ainda que “Vendo poemas, não poesia,/Pois esta não está nas palavras/Mas sim em quem versa e em quem lê.” Busca vida e a poesia para significá-la “Pois ainda continuo sonhando.” É um livro que instiga, desconstrói e propõe construções, questiona e responde dentro do leitor. Não se preocupa mais com “termos de poesia”, apenas vive o universo, energiza e inspira.
