O mínimo que um professor precisa fazer é mostrar aos alunos um célebre poema de Oswald de Andrade, que começa assim: "Dê-me um cigarro, diz a gramática...". E termina assim: "Deixa disso, camarada, me dá um cigarro". Escrito há mais de meio século, o poema de Oswald -atualíssimo- questiona a imposição aos brasileiros da colocação pronominal lusitana. Para um português, é natural dizer "Viram-me"; para um brasileiro, não. O professor tem obrigação de mostrar ao aluno que a colocação brasileira difere da portuguesa, que o que se faz na fala nem sempre se faz na escrita, que muitas das tais "regras", na verdade, nem nos textos clássicos têm aplicação incontestável etc., etc., etc.
