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    História natural da ditadura -

    José Teixeira Coelho Neto

    Iluminuras
    2006
    305 páginas
    10h 10m
    ISBN-10: 8573212462
    Português Brasileiro
    3.8
    3 avaliações
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    Favoritos1Desejados29Avaliaram3

    A expressão "Historia Natural" remete-me ás vozes de conquistadores, clérigos e legatários que desenharam o mapa de territórios que não lhes pertenciam. No melhor dos casos, desde o legado da violência, suas minuciosas descrições nomearam um mundo de maravilha. História Natural da Ditadura, como tantos outros textos de Teixeira Coelho, tece uma simultaneidade de sentidos: a ditadura como estado natural; a natureza da ditadura; a inacabada e constante crônica da depravação e cumplicidade com a des/ordem e a repressão. Com a mesquinhez e a hipocrisia. Para alem do ensaio e da encenação do eu, suas paginas incitam a uma reflexão constante.

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    Berttoni Licarião25/09/2018Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Este livro é um denso romance-tese construído em torno de um dos principais temas da obra de Agamben, de que "o estado de exceção política entre nós é a regra". Desse modo, o livro de Teixeira Coelho está dividido em cinco partes que destrincham à exaustão diferentes manifestações do estado de exceção ao longo da história, tendo por foco (1) o monumento a Walter Benjamim em Portbou, (2) a censura a uma exposição de arte na Argentina, (3) a ditadura brasileira (e a incapacidade — que o autor chama de impossibilidade — de distinguir governos de esquerda e de direita), (4) a ditadura do pensamento e da linguagem e, por fim, (5) um capítulo em que o autor explica como sua obra deve ser lida (uma tentativa embaraçosa de metaficção que atrapalha a fruição da obra com um pedantismo rançoso disfarçado de ironia). Por exemplo, a insistência em marcar a falta de estilo da obra quando marcas de estilo transbordam, inclusive uma mania de se referir ao Brasil como "o país Brasil", cacoete que fazia saltar minha veia da testa a cada página. Muito bem escrito e provocador, o romance, ainda que completamente desprovido de qualquer linha narrativa que prenda nosso interesse, denúncia as marcas civis do estado de exceção e consegue imprimir, não obstante, sua principal pergunta no leitor: Por que ninguém parece importar-se mais? . GRIFO: Hoje as pessoas passam diante do prédio do DOPS que agora abriga arte e eu passo diante do prédio do DOPS, onde se torturavam e humilhavam e aniquilavam as pessoas, como se ali não tivesse acontecido nada, e como não há um gesto especial a fazer quando se passa diante de uma casa de arte e como se julga que não há um gesto especial a fazer quando se passa diante de um lugar onde se torturavam pessoas, tudo se transforma num magma informe na memória. Na memória. P. 219

    4 curtidas

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    3.8 / 3
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    José Teixeira Coelho Neto profile picture

    José Teixeira Coelho Neto

    Possui graduação em Direito pela Universidade Guarulhos (1971), mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1976) e doutorado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (1981), pós-doutorado na University of Maryland, EUA (2002). Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo, aposentado. É curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo-MASP. Foi professor de Teoria da Informação e Percepção Estética e de História da Arte da Faciuldade de Arquitetura da Universidade Mackenzie. É especialista em Politica Cultural e colaborar da Catedra Unesco de Politica Cultural da Universidad de Girona, Espanha. É consultor do Observatorio de Politica Cultural do Instituto tau Cultural, São Paulo. Curador de diversas exposições realizados no MAC-USP e no MASP. Autor de diversos livros sobre cultura e arte, é ficcionista (PremioPortugal Telecom 2007 pelo livro Historia Natural da Ditadura, publicado em 2006 pela Ed. Iluminuras.

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    José Teixeira Coelho Neto