Este livro tem duas partes aparentemente distintas. A primeira, onde granjeei meu olhar vernáculo e simples de um observador, está em suas mãos. A segunda, chamada Carnavalescença, é a junção de algumas canções de minha autoria. Logo mais você descobrirá como encontrá-las no mundo virtual. A ordem pode ser levemente invertida, ou perfeitamente unida. Não sou poeta, apenas vejo poesia nas coisas, nas cores, nos momentos, sentimentos e aventuras. Cresci sozinho, enquanto a mãe trabalhava e meu pai se distanciava. Talvez foi nessa época que comecei a criar um jeito tristonho de ser, e que trago até hoje. Apesar dos anos, ainda não sei lidar com a solidão, quiçá a felicidade, que vai e vem, como as ondas na areia da praia. Muito menos possuo o tom calmo dos pássaros na voz, apenas gosto de compor. Foi nas composições que dediquei o maior tempo da minha vida, me faz tão bem quanto um amor. Estou, cada vez mais, procurando as ruas pequenas pra caminhar, onde não haja iniquidade humana. Não é que eu não goste de pessoas ao meu redor; é, sim, porque o silêncio anda me fazendo bem. Meu amigo imaginário, o Eugênio, frequentemente conversa comigo, coisas de um mundo mais tranquilo, sem pressão (coisa que me faz mal). Reuni neste livro poesias curtas, desarrimadas de apegos formais. Deixo nas próximas folhas um pouco do meu coração e de tudo que vivi (vivo). Saliento que algumas poesias de duas linhas viraram canções de duas páginas, as quais apresento no meu Sarau – Carnavalescença. Observação: você não encontrará a palavra Carnavalescença no dicionário; é a mistura de carnaval com convalescença, estado que medeia entre uma doença e o restabelecimento da saúde, no meu caso, psicológica. Sigo vivendo meu carnaval solitário, pouco a pouco gostando mais das manhãs, dos pequenos detalhes, do desapego apegado, do sonho acordado. Foi com extrema alegria que recebi, numa tarde ensolarada de setembro de 2012, as ilustrações do amigo e designer Rafael Peduzzi, rapaz talentoso, profissional e de alma transparente. Agradeço desde já a grande e indispensável ajuda com os horizontes deste livro, tenho a certeza absoluta que Laranjais de Gelo só foi “publicado” porque tive o seu apoio de ponta a ponta. (Ruan Libardoni - Pelotas, Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul, 2012)
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