Mil e Quinhentos - O ano do desaparecimento

    Alan Oliveira

    Gaivota
    2012
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9788564816206
    Português Brasileiro

    Quando as grandes naus estão prestes a deixar Portugal rumo às Índias, em 1500, os irmãos Scalfi resolvem encarar o Atlântico. Juntos com um amigo francês, são escolhidos para viajar na embarcação principal de uma das expedições e acabam vivendo uma história emocionante e imprevisível. Lidar com perdas e enfrentar o desconhecido são apenas alguns dos desafios que eles têm de enfrentar. Na narrativa de Alan Oliveira, Pedro Álvares Cabral e Pero Vaz de Caminha são apenas coadjuvantes de uma história envolvente, com doses certas de realidade, mistério e imaginação.

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    Driely Meira Nunes de Almeida picture
    Driely Meira Nunes de Almeida15/11/2017Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Interessante... Mas eu esperava mais.

    Pouco depois de chegarem a Lisboa, os irmãos Bruno e Rafael Scalfi acabam embarcando numa das várias naus de Pedro Álvares Cabral em direção às Índias. Órfãos desde que os pais foram assassinados, os meninos só tinham um ao outro, e perdidos como estavam, precisavam de um propósito. Ou de uma espécie de emprego. Tornar-se marinheiro numa expedição como a de Cabral era como alcançar ambos os objetivos numa vez só. Eles estão por perto quando as embarcações de Cabral “descobrem” uma terra a qual eles denominam Novo Mundo, e estão por perto quando os portugueses fingem amizade com os índios. Mas quando as naus estão retornando para Portugal, após poucos dias ancoradas no litoral brasileiro, Bruno percebe que o irmão ficou para trás, e sem ter como voltar para busca-lo (até parece que os navios dariam a volta para buscar um simples ajudante dos barcos), o mantém em sua memória por quase trinta anos, na esperança de vê-lo outra vez. O que será que acontecera com Rafael? Estavam felizes. Eram jovens, destemidos, e giravam no centro de um mundo curioso e febril. E, o mais importante: embarcariam em breve para as distantes e exóticas terras das Índias. – página 18 Quando li a sinopse de Mil e quinhentos, a tinha achado muito interessante, principalmente porque o subtítulo do livro é O ano do desaparecimento. Desaparecimento de quem? O que será que iria acontecer neste livro, onde Álvares Cabral e Vaz de Caminha não eram protagonistas, e sim os dois irmãos? Irmãos estes que possuíam personalidades diferentes, o que me fez gostar imediatamente de um e não gostar tanto do outro. Bruno é do tipo briguento, mente fechada e mais crente na teoria de que todo mundo que não era cristão na época ou vivia à lá europeu era selvagem. Quando o livro pula para quando ele já está em seus quarenta e poucos anos, podemos ver que ele não passa de mais um crente de que os índios não eram nada mais do que animais selvagens que poderiam ser usados pelo benefício de Portugal e das outras potências europeias. Já Rafael era do tipo mais sensível, curioso e aberto para novas aventuras. Quando ele desapareceu, tive uma teoria a respeito de seu sumiço, contudo, só descobrimos o que realmente aconteceu com ele no final do livro. Um personagem que merece muito destaque é o jovem Jean Marc, amigo dos irmãos. Fora ele quem os ajudara a fazer parte da expedição, e é ele quem ajuda Bruno a procurar pelo irmão desaparecido. Ele também é o personagem mais inteligente e interessante da história, um dos poucos que conseguem ver o que Portugal realmente está fazendo com as terras que, aparentemente “descobriu”, e que consegue se colocar no lugar dos índios. Por esse e outros motivos, ele foi o meu personagem favorito. Pago um preço por enxergar além da mediocridade na qual se esconde a maior parte dos homens. Enxergo, por exemplo, que nós somos os invasores; eles, os donos das terras invadidas. – página 95 Eu gostei deste livro, a história é bem bacana e os personagens foram bem construídos. Mas é muito curta, de maneira que as coisas acontecem rápido demais e com pouco desenvolvimento. O livro tem menos de 100 páginas (contando com ilustrações muito bonitas ao longo das páginas), e as folhas são bem grossas, então aparenta ter muito mais. Então, apesar de eu ter gostado do livro num geral, não foi uma leitura totalmente envolvente ou instigante. Acho que se o livro fosse maior, o autor teria explorado melhor os acontecimentos acerca do desaparecimento de Rafael e de como Bruno acabou se tornando quem é, e, como consequência, Mil e quinhentos seria mais rico e envolvente. Não o descarto como leitura, porém. É interessante e inteligente na maioria dos pontos, só faltou um pouco mais de atenção da parte do autor aos detalhes e desenvolvimento da trama.

    1 curtida

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