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    Uma voz da Província -

    Newton Braga

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    2011
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788577291090
    Português Brasileiro
    4.8
    3 avaliações
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    Nos anos 40 do século XX, o Brasil era uma economia eminentemente rural. Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, à frente desse tempo, navegava em onda industrial inédita para cidades de seu porte. O desenvolvimento agro-industrial, iniciado anos antes por Jerônimo Monteiro, estagnou, mas deixou como legado o alicerce econômico que permitiu a escalada cultural da cidade, exportadora de talentos. Entre os 37 jornais na época editados no Rio de Janeiro, então capital federal, o Diário de Notícias era o mais influente em educação e cultura. Conservador, espécie de porta-voz da velha União Democrática Nacional (UDN), inovou ao lançar um suplemento literário, reunindo críticos e escritores consagrados. O jornal chegava com atraso em Cachoeiro, mas a cidade o esperava e lia, atenta ao país e ao mundo. Cachoeiro era culturalmente tão avançado que conseguiu, com Newton Braga, abrir espaço no escrete de celebridades do DN. As críticas de livros que ele, como teste, enviou ao jornal impressionaram tanto os editores que acabou contratado. Nasceu, assim, a coluna Uma Voz da Província, sempre “simples de sincera”, segundo seu dono. Suas observações, além de atiladas, eram bem-humoradas, o que surpreendia num escritor que seus conterrâneos viam como uma figura taciturna, embora doce e amiga. Ao flagrar, por exemplo, escorregadela da escritora Dinah Silveira de Queiroz, na tradução de Deuses de barro, do escritor americano Lloyd Douglas, que mostra a personagem principal da obra a descer “as camadas para se reunir a seus convidados”, ele observou: “É mais provável que o autor tenha posto ali uma escada”. Newton era talento raro, espírito universal que optou, na época, por permanecer na província, de onde municiava, via Correios e Telégrafos, as páginas do mais famoso caderno cultural do país. Parecia querer mostrar, modesta e precocemente, que no Brasil profundo também há inteligência. Daí, a importância da reunião em livro das suas críticas literárias. Elas antecipam a globalização, mostrando a sintonia da “província”, num mundo ainda “fechado”, com a melhor produção literária nacional e universal, em comentários construtivos, sempre simples e sinceros: de Cachoeiro para o mundo, na voz de Newton Braga. Sérgio Garschagen Jornalista

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